Pitta diz que, por enquanto, ficará sem leganda
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quarta-feira, 24 de março de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 25 (AE) - A primeira iniciativa do prefeito Celso Pitta depois de deixar o PPB foi reunir-se com os vereadores que ainda integram a sua base de sustentação para comunicar a sua decisão e tentar garantir o apoio político para levar o seu governo adiante. Vereadores do PPB, PTB, PL, PFL, PMDB, Prona e sem partido, também.
Na reunião, além de comunicar a decisão de sair do PPB Pitta adiantou que não pretende filiar-se a nenhum partido de imediato e que gostaria de continuar contando com o apoio dos parlamentares que o apoiaram desde o início do governo. O prefeito admitiu ter sido "sondado e convidado" por alguns partidos políticos, mas não os identificou alegando ainda não ter tomado decisão.
"A minha saída do PPB não representa uma mudança de partido e a minha intenção neste momento é honrar o mandato que me confiado em 1996, embora acredito ser um candidato natural à reeleição", afirmou Pitta.
O vereador José Amorim (PTB) afirmou hoje que o ex-governador e deputado federal Luiz Antônio Fleury Filho (PTB-SP) chegou a conversar com o prefeito sobre uma eventual mudança de partido, mas não houve definição. Pitta já havia tentado uma aproximação com o PFL e, mais recentemente, com o PMDB.
Apoio verbal -- A princípio, os vereadores apoiaram a decisão de Pitta e disseram que continuarão apoiando o governo municipal. "Depois do que o doutor Paulo Maluf disse que o prefeito não tinha outra coisa a fazer", afirmou o vereador Viviani Ferraz (PL).
Ferraz disse que continuará apoiando o prefeito. "Posso assegurar que o prefeito Celso Pitta continuará contando com mais de 28 votos na Câmara", garantiu o líder da bancada do PPB
Paulo Frange, referindo-se ao número mínimo necessário para aprovar projetos de lei.
O líder do governo, vereador Brasil Vita, preferiu não fazer nenhum comentário."Preciso de tempo para fazer um comentário, pois quero que isso amadureça para emitir uma opinião", completou.
O presidente da Câmara, Armando Mellão (sem partido), não participou da reunião com o prefeito. Ele afirmou por meio da sua Assessoria de Imprensa, que não "tinha nada a declarar".
Apoio preliminar -- A bancada do PFL, que segundo comentários admitidos pelos próprios vereadores, poderia estar num processo de afastamento do governo municipal. "Já ouvi isso, mas não recebi nenhuma recomendação oficial do partido", disse o vereador Toninho Paiva (PFL).
De acordo com Paiva, o presidente estadual do PFL, Cláudio Lembo, convocou reunião com a bancada para terça-feira. "Não me disse qual será o tema", afirmou Paiva. Lembo foi procurado em sua casa pela reportagem do Estado, mas não foi encontrado.
Teste inicial -- A situação do governo municipal na Câmara, depois da fase pós-rompimento entre Pitta e Maluf, será demonstrada na próxima semana. O primeiro teste será a aprovação de projetos de lei considerados fundamentais para que o prefeito reverta a sua popularidade.
Entre esses projetos, estão o que permite a criação de frentes de trabalho na cidade de São Paulo. Além disso, o projeto que cria a Corregedoria do Serviço Público Municipal também está em tramitação -- o cargo ocupado pelo vice-prefeito Régis de Oliveira foi criado por decreto, em caráter emergencial.
Na prática, esses projetos devem enfrentar poucas resistências. Na opinião dos vereadores da situação, o apoio será verificado mesmo quando o Executivo precisar aprovar propostas polêmicas.


