São Paulo, 30 (AE) - O prefeito Celso Pitta reconheceu hoje que com as mudanças anunciadas no Plano de Atendimento à Saúde (PAS), criado por seu padrinho político, Paulo Maluf, pretende assumir o controle da área de saúde - que na verdade sempre foi sua atribuição. Mais que uma mudança administrativa, porém, a decisão pretende desvincular seu nome da marca PAS - bandeira política de Maluf.
Para o prefeito, o reagrupamento de 14 módulos em 4 e a criação do Conselho Supremo de Gestão (com participação da Secretaria de Saúde, Ordem dos Advogados do Brasil, entidades médicas, Ministério Público, entre outros) darão origem a um sistema "antipropina", sem a participação de vereadores - ainda que isso represente prejuízos para sua base de sustentação na Câmara.
Na manhã de hoje, depois de solenidade na Lapa e antes de ir para Brasília, onde foi tratar da dívida do Município com técnicos do Tesouro Nacional, o prefeito falou ao repórter Uilson Paiva sobre a transformação do PAS - que já consumiu verba de pelo menos R$ 2 bilhões desde sua criação, em 1995 - em Sistema Integrado Municipal de Saúde (Sims). Pergunta - As mudanças anunciadas no PAS são um reconhecimento de que a Prefeitura não tinha controle sobre o sistema de saúde? Celso Pitta - São um reconhecimento de que o sistema precisava ser mudado radicalmente, tendo em vista que os aspectos bons, que foram preservados, estavam prejudicados por uma deficiência de controle. Agora, o controle do sistema é assegurado e os aspectos positivos de cooperativa são mantidos. Pergunta - O rompimento com o ex-prefeito Paulo Maluf facilitou sua intervenção no PAS? Pitta - O que foi determinante para a mudança foi a necessidade de maior controle e de maior eficiência no atendimento da população. Esse sistema, que se esgotou, mostrou-se bom sob alguns aspectos, mas muito ruim no que diz respeito ao controle. Pergunta - O ex-prefeito Paulo Maluf sai perdendo com essa mudança no PAS? Pitta - Essa avaliação pode ser feita por ele. O interesse da modificação é o interesse da melhoria no atendimento à população de São Paulo. O resto pode ser uma consequência acessória. Na minha opinião, todos saem ganhando. O nome PAS esgotou-se na forma em que foi concebido. Agora há um modelo novo que supera o anterior. Evoluímos para um estágio superior. Pergunta - O secretário Jorge Pagura afirmou que esse modelo não permite que os vereadores tomem conta dos módulos como vinha ocorrendo. Qual a sua avaliação? Pitta - Isso já é notícia antiga porque desde o início do ano toda a interferência do Legislativo na área do Executivo foi eliminada. Pergunta - O senhor não teme que o afastamento dos vereadores do controle do PAS vá prejudicar sua base de sustentação na Câmara, uma vez que eram justamente os vereadores governistas que controlavam os módulos? Pitta - Já existe um consenso de que o modelo de participação do Legislativo no Executivo esgotou-se em si mesmo. Isso é reconhecido pela Câmara. O que queremos é o que a cidade quer. Pergunta - Então a corrupção que existia vai acabar? Esse sistema é antipropina? Pitta - Você pode carimbar com todos os termos. O sistema que hoje é instituído na cidade tem um grau de controle que o anterior não tinha. Se ele é à prova de propina? Acredito que está bem próximo dessa situação. Pergunta - E por que a Prefeitura demorou tanto a mudar o modelo? Pitta - A modificação é resultado de um longo e meticuloso trabalho da Secretaria de Saúde. Um trabalho de planejamento que demandou cuidado para não haver descontinuidade do serviço. Foi uma decisão tomada há sete meses, que começa agora a ser posta em prática. Pergunta - Na prática, para o cidadão, o que muda? Pitta - Só melhora porque algumas unidades que estavam subaproveitadas passam a ter aproveitamento e profissionais de saúde subutilizados passam a reintegrar o sistema. É também um passo inicial para a municipalização da saúde e o reingresso das verbas do SUS nos cofres da Prefeitura.

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