Pitta diz que "loteamento" começou com PT
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domingo, 08 de agosto de 1999
Por Rogério Wassermann 
São Paulo, 09 (AE) - O prefeito Celso Pitta (sem partido) afirmou hoje que as repetidas denúncias de corrupção envolvendo vereadores de sua base de apoio na Câmara Municipal não são decorrência do loteamento dos órgãos do Executivo para garantia de maioria no Legislativo. "Isso não se iniciou no meu governo, mas no governo do PT, da ex-prefeita Luiza Erundina, que teve até parentes e irmãos de vereadores que ocuparam administrações regionais", afirmou o prefeito, após a entrega de apartamentos do projeto Cingapura em Interlagos, na zona sul da cidade.
"Essa ocupação de espaços políticos existe há muito tempo na política local e não é diferente do que ocorre na política estadual ou na política federal, como o que aconteceu agora, com o novo ministério do presidente Fernando Henrique Cardoso, quando também os partidos políticos ocuparam espaços da administração", argumentou Pitta. O prefeito admitiu, no entanto, que o sistema pode ser usado contra o interesse público. "Se ao invés de esses espaços políticos serem usados em benefício da população, foram em benefícios outros que o da população, a gente protesta e exige reparação e punição", observou.
Para Pitta, as novas denúncias contra os vereadores Paulo Roberto Faria Lima (PMDB) e José Viviani Ferraz (PL), que integram a base governista, não desgastam a imagem do Executivo. "Há acusações não só contra os vereadores da base governista, mas também em relação aos da oposição". Pitta voltou hoje a dizer que apóia a criação de uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias contra vereadores. Ele afirmou, no entanto, que a decisão cabe exclusivamente ao Legislativo.
"Não só como prefeito, mas também como cidadão apóio a averiguação de todas essas denúncias e estou na expectativa que uma satisfação seja dada à opinião pública, porque da maneira que está evidentemente não poderá ficar", disse. "A sindicância é um trabalho da Câmara Municipal, que poderá ser feito tanto por meio de inquérito administrativo, de comissão processante ou por uma CPI, mas essa é uma decisão que cabe ao Legislativo".


