São Paulo, 12 (AE) - O prefeito Celso Pitta (sem partido) disse existir uma conspiração contra São Paulo, que tenta abreviar seu mandato. Do complô participariam o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) e seu vice na campanha ao governo do Estado, Luís Carlos Santos (PFL), e o vice-prefeito Régis de Oliveira (sem partido). "É a hora da verdade para todos", disse Pitta ao comentar a decisão da Comissão Especial da Câmara que avaliava o pedido de impeachment contra ele.
Pitta disse ter recebido com "absoluta tranquilidade" a derrota que sofreu hoje na comissão. Ele acredita que, no plenário da Câmara, o resultado deverá ser diferente. Para que seja instalada uma Comissão Processante é preciso o voto de 33 vereadores, o que, para o prefeito, é improvável que ocorra. "Trinta e três votos é uma ficção".
A acusação que dá base ao pedido de impeachment é, para ele, descabida e só não foi arquivada hoje pela comissão - o Executivo tinha, em tese, maioria - por interferência de Luís Carlos Santos, que ele nega. Essa intervenção revela os interesses de Maluf na cassação, segundo Pitta. "Suspeito que ele esteja preocupado com o desenvolvimento das investigações (sobre corrupção na administração pública)".
Ele disse não ter condições de acusar Maluf de participação nos esquemas de corrupção investigados pela Câmara, a Polícia Civil e o Ministério Público Estadual (MPE), mas disse não existir outra explicação para o interesse de Maluf em seu impeachment. "As atitudes desse senhor, Luís Carlos Santos, que é pessoa de confiança dele, trabalhando contra mim, mostra uma preocupação com relação a isso".
Pitta não descarta a tese de que o pedido de impeachment seja parte de uma estratégia para desviar a atenção das investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais com o objetivo de não prorrogar seus trabalhos. "É uma boa a hipótese a de pessoas quererem criar uma situação nova para aplacar o ímpeto das investigações". Negociação - O prefeito disse ter uma maioria de vereadores que o apóiam e votarão contra a criação de uma Comissão Processante. Por suas contas, pelos menos 30 dos 55 parlamentares devem ficar ao seu lado. Pitta afirmou que a negociação com a Câmara se dará de forma normal. "Não vou negociar o fim das investigações", disse. "Acordos políticos sempre acontecem".
O prefeito disse não se sentir isolado politicamente e acredita que terá apoio da opinião pública. "Agora vou me sentir amparado pela Câmara e pela opinião pública". Para ele, a decisão dos vereadores, hoje, apenas demonstra a independência dos Poderes Executivo e Legislativo. "Não temos a interferência que todos supõem sobre a Câmara".
O prefeito voltou a afirmar que seu vice deveria pensar em deixar o cargo de corregedor do Serviço Público Municipal e a acusá-lo de pretender assumir seu lugar. "Régis deixou claro o interesse no meu afastamento".

mockup