Pitta deve R$ 800 mil a Yunes
Pitta deve R$ 800 mil a Yunes16/Mar, 20:52 Por Nathalia Molina São Paulo, 16 (AE) - O prefeito Celso Pitta (PTN), além dos R$ 6 mil que recebe todo mês da Prefeitura, conta com um extra mensal de R$ 25 mil, financiado por outro empréstimo do empresário Jorge Yunes. Entre 1997 e 1998, o empresário havia emprestado R$ 600 mil ao prefeito. A nova ajuda veio em 15 de outubro do ano passado, quando Pitta pediu mais R$ 200 mil a Yunes. A dívida do prefeito com o empresário - R$ 800 mil, mais 6% de juros anuais - já é maior do que o patrimônio que Pitta declarou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) nas eleições municipais de 1996 - no total, cerca de R$ 678,8 mil. Yunes ainda não recebeu nenhum pagamento pelos empréstimos, mas disse que emprestaria mais se o prefeito precisasse. "Vou aguardar o desbloqueio dos bens para ele me pagar", afirmou. "Não vou cobrar, ele me paga quando puder." Pitta teve seus bens bloqueados pela Justiça em 25 de junho de 1997, em decorrência do processo em que é acusado de irregularmente emitir títulos públicos para pagar precatórios. Cartório - De acordo com o último contrato, registrado em cartório em 15 de outubro, o prefeito receberia R$ 25 mil na data da assinatura do documento. Outras sete parcelas, no mesmo valor, seriam entregues a Pitta no fim da primeira quinzena de cada mês até 14 de novembro. Pelo contrato, a quarta parcela foi paga a Pitta na última quarta-feira. Segundo os termos do documento, o prefeito tem um prazo de cinco anos, a partir da data de liberação de cada parcela, para restituir o dinheiro. Conforme a declaração enviada em 1996 ao TRE, o patrimônio de Pitta inclui o apartamento da Alameda Franca, em São Paulo, e outro no Rio de Janeiro (então avaliados em R$ 604,3 mil), quatro carros (R$ 53,8 mil), jóias (R$ 13,9 mil) e linhas telefônicas (R$ 3,9 mil). Yunes afirmou que não está preocupado em saber se os bens do prefeito, quando desbloqueados, serão suficientes para o pagamento dos empréstimos. "Se ele não pagar, quem perde sou eu", disse. Para o empresário, seria deselegante perguntar se o patrimônio de Pitta é suficiente para garantir os empréstimos. "O que eu iria dizer: traga o seu Imposto de Renda? Ele é o prefeito, não ia perguntar o que tem." Desde que se separou de Nicéa, o prefeito mora em um flat de luxo em Moema. Os custos mensais de um apartamento nesse flat variam entre R$ 3 mil e R$ 5 mil. Pitta alega que conseguiu um desconto e paga apenas R$ 1.500 por mês. De acordo com Yunes, o prefeito se sustenta com os R$ 6.000 que ganha na Prefeitura e o que recebe do empréstimo. Comissão - Antes dos R$ 800 mil em empréstimos, Yunes já tinha "ajudado" a família Pitta. Em 1996, ele pagou R$ 150 mil a Nicéa Pitta. O dinheiro seria a comissão da ex-primeira-dama pela consultoria de arte que ela teria prestado ao empresário. Mas o próprio Yunes afirmou que Nicéa não entende do assunto. "Ela não entende nada de arte", disse. "Me trouxe algumas pessoas para vender quadros, mas não comprei quase nada." O secretário de Comunicação Social do prefeito, Antenor Braido, foi procurado pela reportagem, mas sua secretária informou que ele estava em reunião. A caixa postal de Braido estava repleta e não permitia mensagens. A reportagem conseguiu falar com a Assessoria de Imprensa do prefeito no fim da tarde, mas foi informada que só Braido poderia tratar do assunto.





