São Paulo, 05 (AE) - A Prefeitura, por meio da Secretaria de Comunicação Social, desmentiu hoje que haja um dossiê sobre irregularidades na Anhembi Eventos e Turismo da Cidade de São Paulo praticadas durante o governo do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB). A informação sobre o dossiê foi dada na tarde de domingo pelo advogado do prefeito Celso Pitta, Cid Vieira de Souza Filho, e desautorizada à noite.
Ao informar que toda a diretoria da Anhembi havia sido demitida após tentar sumir com documentos da empresa , Souza Filho disse que "Pitta ficou refém desse esquema do Maluf" e o prefeito havia reunido uma série de documentos que seriam entregues ao procurador-geral de Justiça, Luiz Antônio Marrey. "O prefeito quer mostrar que definitivamente se libertou e quer colaborar com o Ministério Público", acrescentou o advogado.
Desmentido - O desmentido feito no domingo e reafirmado hoje pela Prefeitura sobre as declarações do advogado Cid Vieira de Souza Filho não convenceram o alto comando malufista, que decidiu não partir para o confronto com Celso Pitta. Os principais articuladores políticos do presidente nacional do PPB e ex-prefeito, Paulo Maluf acham muito difícil Souza Filho ter declarado que Pitta teria "ficado refém desse esquema do Maluf" sem ao menos ter ouvido algum comentário.
Maluf não gostou nem um pouco do que lhe contaram no domingo os seus assessores mais próximos, mas aguardou a repercussão da notícia, porque a Assessoria de Imprensa de Pitta já havia desautorizado Souza Filho. O secretário de Comunicação Social, Antenor Braido, negou tudo hoje novamente.
Disse que não há dossiê, mas documentos da Anhembi para provar que Pitta está realmente disposto a colaborar com todas as investigações sobre a máfia dos fiscais. "O prefeito jamais autorizou o advogado a fazer as declarações que fez", repetiu Braido. O secretário de Comunicação Social e o do Governo Municipal, Carlos Augusto Meinberg, disseram desconhecer o conteúdo do dossiê que Souza Filho tem em seu poder. Os documentos devem ser entregues na quarta-feira à Procuradoria-Geral do Estado.
Nota - Uma nota oficial do presidente estadual do PPB, Marcelino Romano Machado, já estava pronta hoje à tarde. Consideraram que era necessário distribui-la para a imprensa. Machado assinou a nota, mas Maluf foi informado do teor e o aprovou.
Na nota o presidente do PPB diz que "as declarações são
no mínimo, levianas". "O advogado deixa numa situação incômoda (sic) o senhor Celso Pitta, porque o prefeito, que está há dois anos e três meses no cargo, deveria ter tomado as medidas que as acusações exigem, punindo os responsáveis pelas irregularidades eventualmente existentes". A nota diz ainda: "O PPB tem certeza que o ex-prefeito Paulo Maluf está tranquilo."
O ex-prefeito, que há poucos dias afirmou que "não tinha nada a ver com a administração municipal", preferiu não responder. A intenção de Maluf é, a princípio, não entrar num embate público com seu afilhado político. A avaliação geral no alto comando malufista é de que o ex-prefeito errou ao escolher Pitta como seu sucessor, mas seus assessores garantem que dificilmente Maluf admitirá isso publicamente. Ao menos, por enquanto.
O advogado Cid Vieira de Souza Filho, que acabou virando o pivô da nova crise entre o ex-prefeito Paulo Maluf e seu ex-afilhado político, não foi encontrado hoje para comentar o caso.

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