Pitta depõe na Cae sobre refinanciamento da dívida de SP na quarta19/Mar, 16:13 Por Rosa Costa e Vânia Cristino Brasília, 19 (AE) - O prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PTN), vai ter de apresentar bons argumentos para impedir que a sua situação, já difícil, piore ainda mais no depoimento que prestará na quarta-feira na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (Cae). Os senadores vão questioná-lo sobre o refinanciamento da dívida do município. E a expectativa é que tanto os da oposição como os governistas vão se valer da ocasião para marcar posição nas denúncias feitas contra o prefeito por sua ex-mulher, Nicéa Pitta. O resultado desse complicador político - que traz de volta ao debate o desvio de títulos públicos para pagamento de precatórios, emitidos pela prefeitura na gestão de Pitta e de seu antecessor, Paulo Maluf - é que a rolagemda dívida deve ficar um bom tempo emperrada no Senado. O relator do projeto de resolução que autoriza a rolagem da dívida paulistana, Romero Jucá (PSDB-RR), lamenta que a situação tenda ao impasse. Na sua avaliação, a demora é favorável a Pitta. No entanto, o senador agumenta que não pode agir com precipitação num assunto dessa natureza. Segundo ele, o prefeito tem sido beneficiado pelo atraso porque não está pagando a dívida. "O povo de São Paulo e o próximo prefeito terão de arcar com esse pagamento na sua quase totalidade", comentou. Daí porque Jucá se prontifica a conversar com todos os candidatos à sucessão de Pitta que estiverem interessados em debater o prazo de renegociação da dívida. Depoimento - O presidente da Cae, senador Ney Suassuna (PMDB-PB) disse que vai tentar dar um único direcionamento ao depoimento de Pitta, centrando a discussão na capacidade do município de honrar seus compromissos. "O problema da Nicéa é de superfaturamento", alega. "Não tem nada a ver com a comissão". A prefeitura de São Paulo quer renegociar em 30 anos uma dívida de R$ 10,5 bilhões, incluindo a parte contratual e a mobiliária. A dívida chega a R$ 6,64 bilhões apenas com o Banco do Brasil, referente à emissão de títulos públicos para o pagamento de precatórios judiciais. A prefeitura também tenta renegociar os R$ 387 milhões emprestados pelo Banco do Brasil como Antecipação de Receita Orçamentária (ARO), além de R$ 113 milhões em ARO com a Caixa Econômica Federal (CEF). Já a divida com o Banespa chega a R$ 3,14 bilhões. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e seus colegas do bloco da oposição querem assegurar que os precatórios "podres" de São Paulo tenham uma rolagem em dez anos e não em 30 anos, como quer Pitta. Na avaliação dos senadores, deve ocorrer - provavelmente quando tiver diminuído o impacto causado pelo escândalo na Prefeitura de São Paulo - o mesmo que o Ministério da Fazenda acertou com o Estado de Pernambuco. A dívida do Estado foi repartida em duas partes. A parte tida como "podre", envolvendo todos os precatórios emitidos irregularmente, será paga em dez anos. O restante será rolado em 30 anos.(Colaborou Gerson Camarotti)