São Paulo, 04 (AE) - O prefeito Celso Pitta (sem partido) demitiu hoje o presidente e toda a diretoria do Anhembi Eventos e Turismo da Cidade de São Paulo. A informação foi do advogado do prefeito, Cid Oliveira Santos Filho, que compareceu à sede da Divisão de Registros Diversos (DRD), no Butantã. Segundo ele, o prefeito reuniu uma série de documentos com indícios de corrupção no Anhembi, que era presidido por Ricardo Castello Branco, que é ligado ao filho do ex-prefeito Paulo Maluf, Flávio Maluf. A documentação, reunida em dois volumes, será entregue pessoalmente pelo prefeito esta semana ao procurador-geral de Justiça, Luiz Antonio Marrey.
"O prefeito, que ficou refém desse esquema do Maluf, quer mostrar que definitivamente deixou deixou de ser esse refém e quer ajudar o Ministério Público a acabar com a corrupção no estado de São Paulo", disse Oliveira. Ele informou que o prefeito decidiu pela demissão no sábado, após tomar conhecimento das denúncias de corrupção no Anhembi.
"Nossa intenção é colaborar levantando dados que certamente auxiliarão nas investigações", disse Filho. A documentação, diz o advogado, contém informações como a contratação de funcionários fantasmas antes da gestão Pitta. O promotor José Carlos Blat, no entanto, lembrou que o Ministério Público apurou, entre outras coisas, a contratação de uma senhora de 75 anos, em março deste ano. A mulher, cujo nome não foi revelado, possui primeiro grau incompleto e foi contratada como auxiliar administravo por um salário superior a R$ 5 mil.
Ao ser indagado se, na verdade, se quem realmente comandava a Prefeitura era o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB), o advogado respondeu "provavelmente". Para o promotor José Carlos Blat, a documentação coletada no Anhembi demonstra que, possivelmente, as investigações sobre possíveis esquemas de corrupção atingirão o primeiro escalão da Prefeitura. "A demissão foi uma surpresa para nós, mas demonstra a boa vontade do prefeito em colaborar com os trabalhos da força-tarefa", disse Blat.
VISCOME - O vereador Vicente Viscome chegou ao DRD às 15h40 para a última parte de seu depoimento. Após o depoimento, seria realizada uma acareação entre o vereador e sua assessora, Tania de Paula. Viscome também seria acareado com a presidente da Associação dos Nordestinos do Estado de São Paulo, Francisca Bezerra. Ela denuncia o vereador e sua assessora de terem cobrado propinas da associação, que organizava uma feira de artesanato na Vila Matilde, zona leste, durante o período em que Viscome comandou politicamente a Administração Regional da Penha.
Na saída da Corregedoria da Polícia Civil, onde cumpre sua prisão temporária, Viscome novamente invocou a Justiça para provar sua inocência. "A Justiça e Deus responderão para vocês", disse Viscome.

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