São Paulo, 16 (AE) - O prefeito Celso Pitta (PTN) homenageou hoje a pediatra Lucy Mayumi Udakiri, de 39 anos, assassinada em outubro do ano passado, no estacionamento do Posto de Atendimento à Saúde (PAS) da Cohab José Bonifácio, em Itaquera, zona leste de São Paulo. Agora o PAS leva o nome da médica.
Em seu discurso, Pitta chamou a atenção para a insegurança gerada pelo aumento da violência urbana na cidade e não deixou de fazer críticas, dessa vez mais sutis, ao governo Mário Covas (PSDB). "Chega de bate-boca; precisamos de uma atitude política mais efetiva no combate à violência; um mutirão."
Demostrando estar em plena campanha eleitoral, Pitta enfatizou suas ações contra a criminalidade: blitz contra perueiros clandestinos, combate ao tráfico de drogas na Cracolândia e o aumento do efetivo da Guarda Civil, previsto para até o fim deste ano.
Pitta defendeu uma trégua com o governo estadual, mas, com ataques amenos, comentou a entrada na PM na blitz contra os perueiros. "Eu sempre disse que a PM deveria ajudar os fiscais; se isso tivesse ocorrido antes, a situação não estaria desse jeito", alegou, referindo-se aos confrontos entre fiscais e perueiros.
O prefeito afirmou que a GCM não pode ser responsabilizada pelos atritos com os perueiros."A GCM não foi preparada para esse tipo de trabalho, a PM, sim." O prefeito chegou à solenidade em um helicóptero da Polícia Militar- como vem fazendo desde o início do seu mandato. Ao sair do evento, o prefeito cumprimentou os idosos presentes. Trocou abraços e apertos de mãos: "Nunca o idoso foi tão bem tratado como em minha gestão".
Ele disse que o gesto e as palavras não eram referência ao episódio da falta de cadeiras durante a posse do Conselho do Idoso, no Palácio dos Bandeirantes, ontem. A falta de cadeiras no eventou irritou Covas.
Hoje o governador disse que tinha muita "coisa" a dizer sobre Pitta: "Mas não tenho interesse particular para falar".
Protesto - Alguns moradores que assistiram a homenagem à médica criticaram a atitude do prefeito. "Acho digno dar o nome da médica ao posto; mas isso é pura politicagem", disse a vendedora Lilian dos Santos, de 25 anos. "Desde a morte da médica nada mudou, ainda dividimos a fila de madrugada com os traficantes, que fazem ponto no posto."
Outra moradora, Selma Ferreira Rodrigues, de 40 anos, disse que deixou de usar o posto em razão da falta de segurança. "Não existe um segurança no posto; ficamos à mercê dos bandidos."Ela garante ainda que a GCM não faz ronda na área, como garantiu Pitta.
A diretora do PAS Fabiola Abud Baccarin está reivindicando mais segurança para o posto. Ela quer um muro no lugar do alambrado - colocado após a morte de Lucy. O PAS conta com apenas um porteiro e nenhum segurança. A família da médica assassinada esteve no evento, mas não quis falar sobre o assunto.

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