Pitta culpa empresários do setor de transporte por greves
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terça-feira, 24 de agosto de 1999
Por Jobson Lemos, especial para a AE 
São Paulo, 25 (AE) - O prefeito Celso Pitta (sem partido) culpou hoje os empresários do setor de transporte público pelas constantes paralisações de ônibus na cidade. Ele disse esperar a aprovação, na Câmara Municipal, do projeto que regulariza cerca de 4,2 mil perueiros, para rescindir contratos com as empresas de ônibus e abrir licitação para que outros empresários "prestem serviço decente à população". O projeto em trâmite na Câmara, segundo Pitta, autoriza a redução de 12% da frota de ônibus da cidade e a rescisão de contratos por parte do Executivo.
O Transurb, sindicato que reúne os empresários do setor, havia informado, no início da semana, que qualquer redução da frota implicaria demissão de funcionários. Para cada ônibus em circulação, de acordo com estimativa do Transurb, há seis trabalhadores empregados. Além disso, o sindicato patronal informou que os contratos assinados com a Prefeitura não permitem uma redução dessa ordem. Em São Paulo, há cerca de 10,8 mil ônibus em circulação.
O corte proposto pelo prefeito provocaria a demissão de aproximadamente 7 mil funcionários. O presidente do sindicato dos motoristas, Gregório Poço, disse, ontem, após se reunir com representantes dos perueiros e o presidente da Câmara, Armando Mellão (PMDB), que sua categoria não admitiria uma diminuição da frota e, consequentemente, de empregos. Pitta, entretanto, disse que o corte de pessoal em empresas de ônibus não o preocupa. Segundo o prefeito, os postos de trabalho perdidos nos coletivos serão compensados pelas vagas abertas para perueiros. "Se há redução de um lado, há aumento de outro". Corte de despesas - O secretário municipal dos Transportes, Getúlio Hanashiro, também já havia ameaçado, segunda-feira, abrir licitação para que novas empresas explorem as linhas de ônibus. Ele, entretanto, disse que isso só iria ocorrer em janeiro, quando vence parte dos atuais contratos. Hanashiro havia dito, também, que as empresas teriam de cortar despesas para equilibrar o que o sistema de transporte arrecada com o custo de operação.
Atualmente, segundo Hanashiro, o custo mensal do sistema é de R$ 140 milhões por mês, ou 120 milhões de viagens. O número de passageiros, porém, vem diminuindo e está em torno de 91 milhões por mês, segundo o secretário. Em julho, a Prefeitura pagou às empresas R$ 26,5 milhões, em subsídios. Mas continua devendo em torno de R$ 176 milhões. Pitta quer que esse modelo de remuneração mude até o fim do ano. De acordo com o prefeito, essa intenção do Executivo levou os empresários a unirem-se com os motoristas e cobradores nos protestos realizados esta semana.
"Há interesse das empresas em alimentar essas manifestações", disse Pitta. Para reforçar a afirmação, o prefeito deu como exemplo a falta de ação dos empresários para retirar seus veículos da frente do Palácio das Indústrias. Desde segunda-feira, há pelo menos 350 veículos estacionados na área da Prefeitura. "Há evidências muito claras de locaute".


