São Paulo, 18 (AE) - A primeira reação do prefeito de São Paulo, Celso Pitta (sem partido), às provocações do ex-padrinho político, Paulo Maluf (PPB), foram amenas. "Isso é Maluf", disse, tentando encerrar o tema. "Nem vou perder meu tempo falando sobre esse senhor; eu tenho uma cidade para administrar." Mas, depois de ouvir uma gravação com as afirmações de Maluf, o prefeito mudou o tom e qualificou a atitude do ex-padrinho de "deplorável" e "de uma baixeza inimaginável".
"Essa atitude de Paulo Maluf me mandar trabalhar e dizer que só trabalhava sob as ordens dele é a típica mentalidade do senhor feudal, da escravatura, de "Casa Grande e Senzala", reagiu. "Dou um aviso a ele: respeite a raça negra ao menos nesta semana da abolição da escravatura; como ele diz, preto também pode ser um bom prefeito."
Logo cedo, o prefeito ficou sabendo das declarações de Maluf - dizendo que Pitta mentia -, mas ainda tentou evitar o confronto. À tarde, entretanto, ao saber detalhes das afirmações
manifestou seu arrependimento por ter ficado "tanto tempo defendendo Maluf". Pitta frisou que tem trabalhado "incansavelmente pela cidade", mas seu mandato tem sido prejudicado pelos diversos problemas e ações judiciais herdados de Maluf.
"Não há uma pessoa que tenha sido mais leal a esse senhor do que eu", afirmou. "Respondi sozinho pelo caso dos precatórios, tive meu sigilo bancário e telefônico quebrados, fui investigado pela Receita Federal (...), respondi pela minha mulher sobre os frangos e (...) pelas irregularidades do PAS, que foi criado por ele", desabafou.
Sobre a negativa de Maluf de estar participando das articulações pró-impeachment, conforme o prefeito vem sugerindo, Pitta ironizou. "Toda vez que o ex-prefeito nega que tem a ver com alguma coisa, ele tem tudo a ver no fim das contas: foi isso no escândalo do frango."
Apoio - Ao participar de dois eventos pela manhã no Palácio das Indústrias, o prefeito aproveitou para demonstrar que tem conseguido ampliar sua base de apoio na Câmara Municipal no caso da votação do processo de seu impeachment. A oposição necessita de 33 votos para iniciar o processo, mas até hoje só dispunha de 23. Os votos contra o processo aumentaram de 10 para 14 após ofensiva do prefeito e ainda há 10 indecisos.
Dez vereadores da situação estiveram presentes no evento hoje aplaudindo o prefeito. Paulo Frange, Miguel Colasuonno, Dito Salim e Archibaldo Zancra - que se definiu hoje -, do PPB; Alan Lopes e José Silva Amorim, do PTB; Viviani Ferraz, do PL, e Osvaldo Enéas, do Prona, manifestaram seu apoio a Pitta. Jorge Taba (PDT), que, até a véspera, se dizia favorável à abertura do processo, e Antônio Goulart (PMDB), então na lista dos indecisos
também compareceram.
Lotes - Em meio a discursos de apoio, o prefeito assinou um decreto regulamentando 22.101 lotes ilegais em 67 bairros da periferia. A medida faz parte da "guinada à esquerda" que Pitta tenta dar desde que rompeu com Maluf e abandonou o PPB para conseguir o apoio de outros partidos. "Isso mostra o vetor social que agora já se sobressai como a grande mensagem desta administração", disse.
Com financiamento de R$ 60,7 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o programa Lote Legal visa oferecer infra-estrutura para loteamentos formados entre 1972 e 1994 fora de áreas de proteção ambiental.

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