Pitta confirma plano de legalizar mais 1,8 mil perueiros
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quarta-feira, 26 de maio de 1999
Por Andréa Portella 
São Paulo, 27 (AE) - O prefeito de São Paulo, Celso Pitta (sem partido), reafirmou hoje a intenção de sancionar a lei que legaliza a situação de mais 1,8 mil perueiros clandestinos. "Quero acabar com a situação de clandestinidade"
disse. A afirmação foi feita um dia depois de Pitta ter anunciado a possibilidade de diminuir a frota de ônibus em 10%, para reduzir custos.
Na manhã de hoje, cerca de 300 perueiros estiveram no Palácio das Indústrias para reivindicar a sanção. A lei que regulariza a situação foi aprovada na Câmara Municipal no início do mês. Pitta tem prazo até o dia 12 para tomar uma decisão.
A cidade já tem 2,7 mil perueiros legalizados pela Prefeitura. De acordo com o Transurb, sindicato dos empresários do setor de ônibus, há 20 mil clandestinos.
Especialistas do setor de transportes criticam a política de reduzir o número de ônibus e aumentar o transporte "oficial" por meio de peruas. "É uma medida popular, que demonstra uma visão míope", critica o professor do Departamento de Transporte da Universidade de São Paulo (USP) Cláudio Barbieri da Cunha.
De acordo com ele, em primeiro lugar, a qualidade do serviço pode piorar, já que o passageiro terá de esperar mais tempo pelos ônibus e será transportado em carros muito cheios de passageiros.
Ele observa, porém, que algumas linhas realmente têm defasagem de passageiros nos horários de pico. "Isso só é um sintoma que demonstra que os ônibus estão perdendo espaço para outros meios de transporte porque não são rápidos, não são baratos e não têm conforto."
Pitta afirmou que faria a redução da frota em linhas deficitárias, para que a Prefeitura não tivesse de continuar pagando um subsídio "violento".
Subsídios - Em abril, a Prefeitura pagou R$ 17 milhões em subsídios ao sistema, que tem 10,8 mil carros, 1,3 mil linhas e transporta 4 milhões de passageiros por dia. Para as empresas, fora esse subsídio, o custo mensal é de R$ 140 milhões.
Cunha observa ainda outro aspecto da questão: são necessárias algumas peruas para substituir um ônibus, o que acaba aumentando o número de veículos em circulação e, consequentemente, os congestionamentos. "Isso tende a agravar os problemas do trânsito."
Na avaliação do diretor-executivo da Associação Nacional de Transporte Público (ANTP), Ailton Brasiliense Pires, é preciso saber em que o prefeito quer transformar a cidade.
Tirar ônibus de circulação pode significar, segundo ele, incentivar o uso do carro. "Se o objetivo é priorizar o carro, será preciso derrubar metade da cidade para que todos possam circular."


