Pitta chegou ao palácio decidido a deixar partido
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quarta-feira, 24 de março de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 25 (AE) - Ao chegar hoje ao Palácio das Indústrias, no Parque Dom Pedro II, o prefeito Celso Pitta já havia decidido deixar o PPB. Pitta leu a entrevista do presidente nacional do PPB e ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, em seu apartamento, na região dos Jardins.
"Se o prefeito teve alguma reação, foi em casa, porque aqui ele chegou absolutamente frio", afirmou um importante asssessor político de Pitta. De acordo com o assessor, Pitta pode ter tomado a decisão enquanto fazia o cooper matinal no Jockey Club, no Morumbi, na zona sul de São Paulo.
Pitta chegou ao seu gabinete por volta das 9h e convocou uma reunião com os secretários de Governo e de Comunicação Social, respectivamente Carlos Meinberg e Antenor Braido. Disse que deixaria o partido, deu o tom da nota oficial e pediu que providenciassem as medidas necessárias.
Os comentários no Palácio das Indústrias eram que a declaração de Maluf foi a gota dágua, o que foi confirmado pelo próprio prefeito horas depois. Além das imposições que ocorreram no início do governo e mantiveram-se até a campanha de 1998, a relação entre Pitta e Maluf sofreu um duro golpe após a derrota nas eleições.
O ex-secretário de Vias Públicas e Serviços e Obras chegou fazer um desabafo, dizendo que quem serviu durante seis anos não poderia ser transformado no problema de Pitta pelo simples fato de ser malufista. Reynaldo esclareceu depois, que a sua irritação devia-se às reportagens e notas publicadas pela imprensa.
Depois que os secretários municipais mais ligados a Maluf foram trocados, a primeira-dama Nicéa Pitta teceu críticas a Maluf e aos seus principais assessores. A situação prosseguiu, com as divergências ocorridas dentro do PPB e nas críticas diretas ao prefeito feitas pelo deputado estadual Conte Lopes.
Pitta cobrou uma posição do partido, mas não obteve respostas. Com a declaração de Maluf de que não tinha nada a ver com a administração, o rompimento político foi inevitável.


