São Paulo, 05 (AE) - O prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PTN), voltou hoje a tentar, sem sucesso, obter o apoio do PMDB para sua reeleição. Pitta recebeu para um almoço no Palácio das Indústrias o ex-governador Orestes Quércia. Durante uma hora e meia, os dois conversaram sobre política. No ano passado, Pitta já havia tentado ingressar no PMDB, mas foi rechaçado. Hoje, Quércia saiu de seu gabinete fazendo declarações diplomáticas, mas não demonstrou maior interesse em apoiar o prefeito.
"Quércia só foi por deferência e saiu falando bem do prefeito porque seria falta de educação criticar o anfitrião", observou um dirigente do PMDB. "Mas não há qualquer chance de apoiar Pitta." As declarações foram confirmadas pelo presidente do PMDB municipal, João Leiva. Segundo ele, o partido está dividido entre a candidatura própria e o apoio à deputada e ex-prefeita Luiza Erundina (PSB) ou a ex-deputada Marta Suplicy (PT). "Não estamos fechados a coligações, mas qualquer que seja a aliança, ela será feita pela esquerda", afirmou Leiva.
Além do próprio Leiva e do ex-governador Quércia, o presidente da Câmara, Michel Temer (SP), tem sido cotado para assumir a candidatura à prefeitura pelo partido. Temer resiste, porque quer se preservar para a disputa pelo governo paulista, em 2002. "Isso é burrice", avaliou um político do partido. "Ele não teria nada a perder e ainda se cacifaria para a disputa a governador", argumentou.
Fiel da balança - Se Temer e Quércia não assumirem a candidatura a prefeito, o mais provável é que o partido apóie Erundina ou Marta. "Fomos procurados por representantes das duas candidaturas, porque somos o fiel da balança", explica um dirigente do partido. "Temos o terceiro tempo no horário gratuito de rádio e TV (atrás do PFL e PSDB) e o nosso apoio poderia desequilibrar a disputa", explica.
Ainda segundo esse peemedebista, apenas alguns vereadores apóiam uma coligação em torno de Pitta. "Eles querem usar a máquina da Prefeitura na sua reeleição", aponta o dirigente. "Mas não há a mínima possibilidade de que esse apoio passe no partido."
O peemedebista conta que ficou decepcionado com as conversas mantidas no ano passado. "Esse pessoal do Pitta é muito ruim de conversa", queixa-se. "Eles não sabem fazer política."
Nesta ocasião, foi o secretário do Governo Municipal, Carlos Augusto Meinberg, que articulou a filiação do prefeito. A negociação começou com Quércia e caminhava bem, segundo os secretários mais próximos de Pitta. De acordo com eles, a operação teria sido abortada pelo ex-governador quando soube que Meinberg e Pitta haviam almoçado com Temer.