São Paulo, 17 (AE) - O prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PTN), admitiu hoje que o programa de investimentos anunciado ontem beneficiará diretamente os vereadores da base governista, que continuarão impedidos de indicar pessoas para trabalhar em órgãos municipais.
"Esse investimento é o melhor que pode ser oferecido à base de sustentação do governo porque a prática de indicações pertence ao passado e não voltaremos atrás", afirmou Pitta, durante vistoria em obras de pavimentação na região de Capão Redondo, zona sul da cidade.
Pitta disse não temer retaliações dos parlamentares situacionistas porque a realização de obras renderá dividendos políticos aos vereadores. Mário Dias (PPB) , que acompanhou o prefeito durante a vistoria, disse que essas pequenas obras ajudam eleitoralmente, mas não muito.
Uma parte significativa dos vereadores reuniu-se ontem (16) com o secretário de Governo da prefeitura, Carlos Augusto Meinberg, e mantiveram uma conversa tensa. Os vereadores cobraram a participação direta na administração por meio da indicação de funcionários em órgãos municipais e liberação de verba para obras na periferia.
O vereador Toninho Paiva (PFL) decidiu falar abertamente. "Não abro mão de indicar pessoas para trabalhar no Executivo, como ocorre nos governos estadual e federal", afirmou Paiva.
Os outros vereadores que participaram da reunião com Meinberg ficaram descontentes com a posição do Executivo, que tem usado como desculpa as investigações do Ministério Público (MP) e da Polícia Civil para não ceder aos anseios da base parlamentar.
Pitta nega, mas cedeu às pressões políticas e demitiu os secretários municipais das Finanças e das Administrações Regionais, José Antônio de Freitas e Domingos Dissei, respectivamente, para retomar investimentos e afrouxar a política financeira. As mudanças deixaram os governistas satisfeitos, mas a bancada do PTB tenta indicar o próximo secretário de Habitação e de Desenvolvimento Urbano, e a do PMDB estaria interessada na Secretaria de Esportes.
Enquanto as exigências não forem cumpridas pelo Executivo, os vereadores devem manter a principal moeda de negociação: o pedido de comissão parlamentar de inquérito (CPI) das oposições. Essa investigação prevê a apuração de denúncias contra órgãos municipais e vereadores.
Essa CPI dificilmente será aprovada porque os governistas a temem. As mudanças políticas ocorridas recentemente na prefeitura foram acertadas no fim do primeiro semestre, em troca do arquivamento do impeachment contra Pitta e o fim da prorrogação da CPI dos Fiscais.

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