Pitta acusado de omissão em CPI
São Paulo, 19 (AE) - O ex-presidente da Ação Local General Carneiro, Lúcio Santos, confirmou hoje na Comissão parlamentar de Inquérito (CPI) dos fiscais, que denunciou supostos esquemas de extorsão ao prefeito Celso Pitta (ex-PPB). A denúncia foi feita em uma reunião realizada no Palácio das Indústrias, em maio de 1998. Além de Santos, participaram da reunião cerca de 30 empresários da região da Ladeira General Carneiro.
Santos é acusado de ter participado em um esquema de venda de barracas para ambulantes com funcionários da empresa W.Sita. A Polícia Civil e a CPI apuraram que ambulantes transferidos para os bolsões recém-instalados no centro teriam sido forçados a comprar barracas padronizadas da empresa. O preço por barraca ficava entre R$ 300,00 e R$ 1,2 mil. Apesar de ter negado participação no eventual esquema, ele afirmou que eram cobradas propinas de camelôs no centro. Segundo Santos, o prefeito teria dito, na reunião, que o assunto era de responsabilidade da Administração Regional da Sé.
As denúncias também foram encaminhadas para o ex-secretário das Administrações Regionais Alfredo Mário Savelli. Entre as provas, Santos encaminhou ao secretário fitas de vídeo com depoimentos de ambulantes acusando as possíveis extorsões. Uma das fitas foi exibida ontem durante o depoimento ontem na CPI.
"Todas as vezes em que eram feitas as denúncias, em vez de serem tomadas as providências cabíveis, os comerciantes da região eram autuados pela fiscalização", disse Santos. O ex-presidente da Ação Local disse que 115 bancas de ambulantes pagavam propinas para os fiscais.
Santos nega ter participado do suposto esquema com a W.Sita. Ele afirmou, porém, que, em uma reunião na sede da empresa funcionários garantiram que o preço das bancas teria de ser alto porque uma parte seria paga a funcionários da Administração Regional da Sé, como propina. (Marcus Lopes e Flávio Mello)





