Pistoleiros matam testemunha que ia depor na CPI
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 31 de dezembro de 1999
por Ricardo Rodrigues 
Maceió, 31 (AE)- O comerciante Elielson Antônio dos Santos, 26 anos, conhecido como "Mickey Mouse", foi assassinado, com um tiro de espingarda 12 no peito, na porta de sua casa, ontem à noite, na periferia de Arapiraca, a 142 quilômetros de Maceió. O crime, cometido por dois pistoleiros que fugiram em uma moto, tem todas as características de assassinato por encomenda e queima de arquivo.
A polícia desconfia que Elielson foi morto porque sabia demais sobre o envolvimento de comerciantes e autoridades alagoanas envolvidas com roubos de cargas na região. Ele seria convocado, em fevereiro, para prestar depoimento à CPI do Narcotráfico, em Maceió. O delegado da Polícia Civil, José Lindberg da Silva, é responsável pela investigação do assassinato. Segundo ele, há autores material e intelectual nesse caso.
Elielson foi preso em 1996, pelo delegado da Polícia Civil, Osvanilton Adelino de Oliveira, acusado de envolvimento com a "gangue da carga pesada", responsável por assaltos nas estradas, assassinatos de caminhoneiros e roubo de cargas. Segundo a polícia, "Mickey Mouse" era uma espécie de vendedor da gangue, responsável pela venda das mercadorias roubadas nas estradas.
Dos 9 acusados de integrar a quadrilha, sete estão em liberdade e dois foram mortos: o comerciante de Hercílio Ferreira, 1997, e agora, "Mickey Mouse", que estava em liberdade. Entre os sete acusados está o empresário Severino José da Silva, o "Severino da Bananeira", que prestou depoimento à CPI, quando um grupo de deputados que integram a Comissão esteve em Maceió, no início de dezembro.
O deputado Robson Tuma (PFL-SP), quando esteve em Maceió, coordenando os trabalhos da CPI, estranhou que os integrantes da gangue da carga pesada estivessem todos em liberdade, mesmo tendo prisão preventiva decretada pelo juiz Severino Brito, de Arapiraca. Quando foi ouvido pela CPI, Brito disse que o proocesso da gangue da carga pesada foi arquivado porque as testemunhas não depuseram contra os acusados.
Tuma estranhou também que o empresário "Severino da Bananeira", apontado como o líder da gangue, quando foi preso em 1996, foi transferido da delegacia de Arapiraca para o presídio em Maceió, sem autorização judicial. A transferência foi feita pelo advogado Eduardo Amaral, a mando de seu pai, o então secretário de Segurança Pública de Alagoas, José de Azevedo Amaral.
Por causa do envolvimento de autoridades, políticos, empresários e policiais da região de Arapiraca no crime organizado, os deputados da CPI desconfiam que o município seja um "celeiro do crime organizado" em Alagoas. Durante o combate ao crime organizado, a Polícia Federal fez uma grande apreensão de armas contrabandeadas no município, que é conhecido como a "terra do fumo". É de Arapiraca o delegado Cícero Torres, que comandou as primeiras investigações sobre as mortes de Paulo César Farias e Suzana Marcolino.
Torres também é acusado de contrabando de armas do Paraguai, durante a gestão de Amaral na SSP. Também é natural de Arapiraca o deputado federal cassado Talvane Albuquerque, que está preso em Maceió, acusado da morte da deputada federal Ceci Cunha.


