Pistoleiros desalojam outros sem-terra
Marta Medeiros
De Maringá
Grupo de pistoleiros armados promoveu ontem, por volta das 17 horas, mais um ação em Marilena (79 quilômetros ao norte de Paranavaí), transformando a região em um campo de batalha entre jagunços e sem-terra. A ação forjada de despejo aconteceu na Fazenda Novo Horizonte. Segundo o advogado do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Avanilson Alves Araújo, de Querência do Norte, a fazenda tem decreto de desapropriação e o local é considerado um assentamento. As 16 famílias do MST teriam inclusive a divisão de lotes, mas o proprietário tentava na Justiça recorrer do decreto.
O advogado contou que foram cerca de 80 homens encapuzados e armados em uma ação parecida com a que ocorreu no último domingo. Os pistoleiros também teriam queimado todos os pertences das famílias. Estamos nos deslocando para Marilena porque os pistoleiros estão atacando e a Secretaria de Segurança Pública do Estado não toma nenhuma providência, reclamou Araújo. Não há informações sobre feridos no ataque. O advogado do MST disse que algumas pessoas das famílias assentadas estariam desaparecidas. Elas devem estar escondidas para fugir da violência do grupo armado, acrescentou o advogado.
Cerca de 200 produtores da União Democrática Ruralista (UDR) assinaram ontem, em Marilena, um pacto de solidariedade ao proprietário da Fazenda Santa Rosa, Alvin Zoller. Eles se concentraram em frente da fazenda e realizaram uma assembléia da entidade. A UDR invocou um artigo do Código Civil, que trata da defesa de propriedade, para justificar a ação violenta de despejo das famílias de sem-terra, feita no último domingo por um grupo de pistoleiros, na Santa Rosa.
Segundo o coordenador estadual da UDR, Tarcísio Barbosa de Souza, a entidade desistiu de qualquer tipo de diálogo com o governo do Estado. Nós estamos dentro da lei, ao contrário do próprio governo que não cumpre as reintegrações de posse determinadas pela Justiça, disse o coordenador. Ele lembrou que hoje a região Noroeste é uma das mais conflituosas do País na questão envolvendo os sem-terra.
A UDR pretende oficializar mais um pedido para a presença do Exército na região, na tentativa de solucionar o que a entidade classifica como ações de guerrilha nas propriedades rurais do Noroeste. Para Souza, a questão não é apenas uma crítica ao presidente Fernando Henrique Cardoso que chamou o Exército para proteger sua fazenda contra o MST em Minas Gerais.
O coordenador da entidade afirma que o caso envolve a segurança nacional a partir do momento que a região abriga um grande número de usinas hidrelétricas. O MST não só batalha por esta região para conquistar um estado independente, como também já ameaçou em outras situações invadir as hidrelétricas como uma forma de controle e poder, ressaltou Souza.





