Pistoleiro preso no PR confessa crime
João Naves de Oliveira
Especial para a AE
De Mundo Novo
O pistoleiro Getúlio Machado, preso em Cascavel (PR), confessou que matou a prefeita de Mundo Novo (MS), Dorcelina de Oliveira Folador, de 36 anos. A confissão foi feita no início da noite de anteontem, ao delegado do Grupo Armado de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros (Garra) Marcelo Vargas. Machado confirmou que recebeu R$ 20 mil do despachante Roldão Teixeira de Carvalho e, no dia 30 de novembro, receberia mais R$ 15 mil.
O total de R$ 35 mil seria pago pelo secretário da Fazenda da prefeitura de Mundo Novo, Jusmar Martins da Silva, acusado de ser o mandante do crime. Machado disse que, pouco depois das 23 horas de 30 de outubro, descarregou o pente de uma pistola automática calibre 380 sobre a vítima.
Para tanto, usou uma escada de madeira para subir no muro dos fundos da casa de Dorcelina. Ela conversava com o marido e com uma das duas filhas na varanda, de costas para o muro. Quando o marido, César Folador, foi até a frente da residência, Dorcelina foi baleada.
Ela foi alvejada por seis tiros e dois ficaram cravados na parede da casa. Depois do assassinato, Machado foi para Guaíra (PR), na divisa com Mundo Novo, Extremo Sul de Mato Grosso do Sul, antes de se instalar em Cascavel. Ao passar sobre a ponte do Rio Paraná, teria jogado a arma na água.
Jusmar Silva disse que ficou decepcionado com a prefeita porque gastou muito dinheiro na campanha política dela em 1996. Após eleita, foi nomeado secretário da Agricultura, mas exonerado no início de 1997. Naquele mesmo ano, deixou o PT, que era o mesmo partido de Dorcelina, e filiou-se ao PMN. Por meio de outro correligionário do PMN, Maurício Fernandes da Silva, Jusmar contratou o pistoleiro Manoel José Idalgo, preso no fim de novembro, em Altônia, Norte do Paraná, a quem pagou R$ 2.500,00 e deu uma arma para matar Dorcelina. Porém, Idalgo desapareceu na época.
O despachante Roldão Carvalho disse que ajudou a arrumar um pistoleiro porque tinha raiva da prefeita. Ele teria sido agredido por ela, durante a campanha de 96, com um chute nos testículos e até hoje estaria impotente.
O vice-prefeito, Kléber Corrêa, que assumiu o cargo após o assassinato de Dorcelina, é cunhado de Jusmar Martins e o nomeou como secretário da Fazenda. Antes da posse, porém, ele teria contado ao prefeito que tinha contratado um pistoleiro para matar Dorcelina. Mesmo assim foi nomeado. Em Mundo Novo, há quatro dias manifestantes impedem a entrada de Corrêa na prefeitura, pedindo seu impeachment. Os vereadores estão aguardando a decisão final da Justiça para tomar uma decisão sobre o assunto.
O governador do Mato Grosso do Sul, José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, também aguarda a Justiça. Ontem, a Comissão Executiva Regional do PT publicou comunicado nos jornais locais, afirmando estar acreditando na Justiça e ressaltando que o assassinato da prefeita está totalmente esclarecido.
O juiz de Mundo Novo, Cléber José Corsato, expediu liminar quebrando sigilo bancário de Jusmar Martins da Silva e pedindo o recolhimento de todos os cheques emitidos por ele durante o período que ocupou o cargo de secretário de Fazenda.





