Pistoleiro aponta ministro como testemunha de defesa
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quarta-feira, 07 de abril de 1999
Por Ricardo Rodrigues 
Maceió, 07 (AE) - O pistoleiro Maurício Novaes, o Chapéu de Couro, acusado de ter participado do assassinato da deputada federal Ceci Cunha (PSDB) e mais três familiares dela, indicou entre as sete testemunhas de sua defesa o ministro da Justiça, Renan Calheiros. Além de Calheiros, o pistoleiro apresentou como testemunhas o ex-diretor geral da Polícia Federal, Vicente Chelotti; o ex-governador de Alagoas, Manoel Gomes de Barros; o delegado da PF, Gustavo Gominho; o delegado da Polícia Civil, Paulo Brás (que presidiu o inquérito policial sobre o caso); o secretário da Segurança Pública, Edmilson Miranda, e o borracheiro Antonio de Souza Rebouças.
"Essas pessoas vão provar que eu sou inocente nesse crime", justificou Chapéu de Couro, no documento de defesa entregue ao juiz Daniel Aciolly por seus advogados Joathas Lins de Albuquerque e Maria Araújo da Paixão. Accioly não quis emitir opinião sobre a iniciativa da defesa, mas disse que irá convocar todas as testemunhas arroladas pelo pistoleiro para depor.
O ex-governador Manoel Gomes de Barros disse que não conhece o pistoleiro e não sabe por que foi arrolado como testemunha. "Só faltava essa", comentou.
O borracheiro Antonio Rebouças é a única das testemunhas que disse à polícia, durante a fase do inquérito policial, ter visto Chapéu de Couro conversando com o deputado federal Talvane Albuquerque, em uma churrascaria de Juazeiro (BA).
O juiz Accioly pretente ouvir as testemunhas de acusação até 20 de abril. Depois desse prazo, serão ouvidas as testemunhas de defesa. Na defesa prévia de Chapéu de Couro, seus advogados não apresentaram um álibi do pistoleiro, limitaram-se a protestar contra "cerceamento de defesa" durante a audiência em que seu cliente foi denunciado como envolvido no crime.
Os advogados de Chapéu de Couro querem a anulação do depoimento do jardineiro Valdir Costa Campos, que disse ter visto o pistoleiro dentro do carro usado pelos assassinos no dia do crime. Essa acusação, feita ao juiz Daniel Accioly no dia 26 de março, fortaleceu a defesa do deputado federal Talvane Albuquerque, principal suspeito de ser o mandante do crime.
Campos disse ao juiz ter visto Chapéu de Couro sentado no banco dianteiro do Fiat Uno usado na fuga dos assassinos da deputada. Após o depoimento, o juiz decretou a prisão do pistoleiro, a pedido do promotor da 1ª Vara Criminal, Márcio Roberto Tenório. O jardineiro foi apresentado como testemunha pelo Ministério Público Estadual.
Campos tinha prestado depoimento ao delegado Arnaldo Soares, na fase inicial do inquérito policial, mas disse à polícia que não tinha visto nada, apesar de quase ter sido atropelado, com sua bicicleta, pelo carro usado pelos pistoleiros. No dia do depoimento, ao ver Chapéu de Couro na sessão do Fórum, o jardineiro disse ao juiz que tinha reconhecido o pistoleiro como um dos integrantes do carro usado no crime.
Ceci foi assassinada com o marido e mais dois familiares, em 16 de dezembro de 99. Albuquerque e mais sete assessores foram indiciados. O deputado, como autor intelectual, e seus assessores, como executores ou cúmplices da chacina. O promotor da 1ª Vara decidiu denunciar cinco dos sete assessores. Além disso, mandou cópias do inquérito ao Supremo Tribunal Federal porque Albuquerque tem imunidade parlamentar e só pode ser processado com autorização da Câmara Federal.
O juiz Daniel Accioly disse que, com relação ao assassinato da deputada Ceci Cunha, só quem pode decretar a prisão temporária ou preventiva de Talvane Albuquerque é o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Sepúlveda Pertence - relator do inquérito que apura o caso. Accioly disse que só emitirá juízo de valor sobre o caso em seu parece final. Ele pretende concluir o processo até 18 de maio, quando encerra o prazo de 81 dias para a conclusão do processo.


