Pistoleiro acusado de matar sindiscalista no PA é baleado ao reagir a prisão
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2000
Por carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 21 (AE) - É grave o estado do pistoleiro Antônio Silva dos Santos, conhecido como Escorpião, baleado, ontem à noite, ao reagir à bala ao cerco policial montado nas proximidades da casa onde ele estava escondido, em Parauapebas, no sul do Pará. O criminoso, acusado de matar a tiros o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Parauapebas, Euclides Paulo da Silva, em junho do ano passado, recebeu seis tiros, quatro na cabeça. Ele foi transferido hoje pela manhã para o Pronto Socorro Municipal de Belém.
Santos estava foragido havia quatro meses da cadeia de Parauapebas e sua captura era tida como questão de honra para a Polícia Civil, acusada por sindicatos de trabalhadores rurais paraenses e entidades de direitos humanos de vários países de negligenciar na vigilância do pistoleiro, o que teria colaborado para sua fuga. O sindicalista foi morto porque denunciou cinco assassinatos de trabalhadores rurais do assentamento Itacaiúnas-Açu, onde Santos morava com familiares. O pistoleiro, que era mal visto entre os lavradores por seu gênio violento, foi apontado pelo sindicalista como suspeito dos crimes. Em represália, segundo o inquérito policial, Silva foi jurado de morte pelo criminoso.
Para matar o sindicalista, Santos contou com a ajuda dos pistoleiros Raimundo Nonato Mendes Serra, o Pelezinho, foragido, e Wilson Vaz Freire, o Reizinho, que está preso em Parauapebas. Os três estavam em uma motocicleta, encapuzados, quando abordaram Silva numa rua movimentada da cidade e o mataram com vários tiros pelas costas na porta de uma loja. O crime abalou os sindicalistas da região, que passaram a denunciar um plano para assassinar 18 líderes ligados à luta pela terra. Uma suposta lista de pessoas a ser eliminadas teria sido elaborada por fazendeiros revoltados com a invasão de suas terras. Os sindicatos dos fazendeiros rebateram a acusação, taxando-a de fantasiosa.
Para a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri), entidade da qual Silva era um dos principais integrantes na região, a polícia demorou para prender Santos.


