Piscar sem parar não é normal
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de agosto de 2006
Reportagem Local 
Quem já esteve próximo a alguém que pisca sem parar, sem controle sobre o movimento das pálpebras, sabe como é perturbador. O blefaroespasmo, um tipo de distonia facial, atinge mais mulheres do que homens e costuma ocorrer depois dos 50 anos.
A movimentação involuntária da pálpebra pode ter origem em outras doenças, como esclerose múltipla. Geralmente, decorre de exposição excessiva à luz (mesmo de computador), fadiga e tensão emocional. É mais comum observar o problema em apenas um olho, embora os dois reajam da mesma forma e pisquem ao mesmo tempo, diz Renato Neves, médico oftalmologista e diretor da Eye Care Oftalmologia.
Os espasmos costumam desaparer durante o sono e diminuem quanto mais emocionalmente equilibrada a pessoa se encontra. Se o paciente não buscar ajuda, o piscar involuntário pode se intensificar de tal jeito, que acaba levando à perda de visão funcional.
A toxina botulínica vem sendo empregada com sucesso em pacientes que sofrem de blefaroespasmo. Ela bloqueia os impulsos nervosos, agindo diretamente nos músculos responsáveis pela contração das pálpebras. São injetadas pequenas doses de Botox em diversos locais da musculatura periorbital (pálpebras, supercílios e pálpebra inferior). Seus efeitos podem ser percebidos em cerca e dez dias e duram, em média, entre três e quatro meses. Em mais de 90% dos casos o tratamento é bem-sucedido, diz Neves.
O oftalmologista diz que é comum haver necessidade de o paciente receber acompanhamento psicológico ou adotar, também, terapias de relaxamento, como ioga e caminhadas.


