São Paulo, 18 (AE) - Os representantes do setor de transporte marítimo do Mercosul, reunidos na semana passada em Montevidéu, não conseguiram chegar a um consenso sobre o "aluguel indiscriminado" de bandeiras por parte de alguns de seus membros para empresas internacionais de fora do bloco regional. O "aluguel de bandeira" está, segundo o diretor executivo do Sindicato Nacional dos Armadores (Syndarma), Cláudio Decourt, prejudicando as companhias instaladas no Mercosul. Paraguai e Uruguai habitualmente alugam suas bandeiras para empresas de outros países, que assim são beneficiadas por custos menores na operação de cargas dentro do Mercosul.
"Há oito anos tentamos fechar um acordo para acabar com esse problema, mas não chegamos a um acordo", disse Decourt. De acordo com ele, o desequílibrio entre o Brasil e a Argentina sobre os outros dois países integrantes do Mercosul (Paraguai e Uruguai) também está dificultando a solução para o problema. O Syndarma é contra a "pirataria de bandeiras" porque ela permite, segundo Decourt, que empresas de transporte marítimo de fora do bloco tenham custo menor e concorram de forma desigual com as instaladas no Mercosul.
Decourt lembrou que "o Brasil é o mais prejudicado, pois trouxe navios de longo curso para atuar na área de cabotagem, e acaba tendo que enfrentar este aluguel de bandeiras. Queremos uma moralização efetiva da questão". Também há a proposta de que, para atuar no Mercosul, os navios devem ter pelo menos 20 mil toneladas de capacidade de carga. "Isso é o que se pensa em termos de ter um transporte de qualidade na região", afirmou Decourt.

mockup