Curitiba – Pouco mais de 60 horas depois do fim de uma rebelião, os detentos da unidade 2 da Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP 2) voltaram a fazer um motim. Um grupo de presos da 9ª galeria fez dois agentes reféns no momento em que o café da manhã era distribuído, por volta das 7h30. Sem acordo para libertação dos funcionários, as negociações foram interrompidas às 21 horas de ontem e serão retomadas hoje às 8 horas. A estimativa da Polícia Militar é que 60 presos participem da ação.
Segundo o Sindicato dos Agentes Penitenciários (Sindarspen), os amotinados reivindicam melhoria nas condições de segurança e na alimentação, dois pedidos que já estavam na pauta da rebelião anterior. A situação, na noite de ontem, era considerada menos tensa que a do final de semana. Segundo os agentes, o temor dos rebelados é de um confronto com membros do Primeiro Comando da Capital (PCC), que, segundo relatos de internos a agentes, têm feito constantes ameaças aos detentos que não aderirem à facção. A Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania (Seju) confirmou que entre as reivindicações dos rebelados está a construção de um muro separando os presos dentro da PEP 2.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, a unidade estava, na noite de ontem, cercada por policiais militares prontos para agir. Um dos caminhões utilizados pela Polícia Militar para garantir a segurança de Curitiba durante a Copa do Mundo foi deslocado para o local. A tecnologia implantada no veículo seria usada para monitorar por vídeo a situação da penitenciária.
Apesar da Seju informar que não há superlotação na unidade, pelo fato de a unidade estar apta a receber 1.108 presos e abrigar 1.037 no momento, o Sindarspen lembra que a capacidade original da unidade é de 960 presos, tendo sido aumentada por uma resolução que determinou o acréscimo de presos em celas, sem ampliação da estrutura.
A segunda rebelião na PEP 2 em menos de uma semana é o quinto motim desde a última semana de agosto, quando ocorreu a rebelião mais violenta dos últimos anos no Estado, com cinco mortes, em Cascavel (Oeste). Desde então, foram registradas revoltas em Guarapuava, Cruzeiro do Oeste e Piraquara.
As rebeliões vêm ocorrendo no período em que a Seju discute com os agentes penitenciários reivindicações da categoria para melhorar as condições de trabalho. A primeira mudança resultante destas reuniões ocorreu ontem, com a assinatura, por parte do governador Beto Richa (PSDB), de decreto que autoriza o agente penitenciário a portar arma de fogo fora do horário de serviço, reivindicação antiga da categoria.

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