Os dez sequestradores do empresário Abílio Diniz iniciaram ontem, na Penitenciária do Estado, em São Paulo, a segunda semana da greve de fome que visa pressionar o governo brasileiro a expulsar os nove estrangeiros do grupo e a indultar o único brasileiro. Eles continuam a receber visitas. A irmã de Christine Lamont, Elizabeth, esteve lá ontem.
O relatório feito ontem revela que a chilena Maria Emília Marchi, 51, continua sendo a presa que mais inspira cuidados da equipe médica. ‘‘Ela perdeu apenas 2,7 quilos, mas continua com vômitos (de água), pequena febre (que pode ser indicativo de alguma infecção) e pressão alta , disse Sampaio. A canadense Christine Lamont, 38, que ontem recebeu a visita da irmã, apresentou melhoras e já não sente tanto as dores lombares, comuns nos primeiros dias. Ela perdeu 3,9 quilos.
De um modo geral, o quadro clínico dos sequestradores não se alterou muito, desde a última medição, afirmou Sampaio. A principal reclamação continua sendo a dor muscular - semelhante a câimbra -, provocada pela absorção de proteínas e glicose. ‘‘É como se o organismo, debilitado pela falta de alimentação, fosse buscar energia nos músculos do corpo , explicou Sampaio.
Segundo o médico, as dores devem aumentar nos próximos dias. A partir de hoje, a equipe médica vai realizar exames diários de eletrocardiograma. Desde a semana passada, já estão sendo feitos exames de sangue e de pressão, para monitorar as condições clínicas dos sequestradores. O chileno Pedro Lembach, 46, um dos sequestradores de Abílio Diniz que participa há mais tempo de organizações políticas de esquerda, passou fome por dois dias a mais do que era necessário, durante uma greve de fome realizada no Chile, na década de 80.
Preso e condenado a 52 anos de prisão por ter feito resistência armada à ditadura do general Augusto Pinochet, ele organizou uma greve de fome nas penitenciárias daquele país em 1983.O movimento, que repercutiu na imprensa internacional, reivindicava a melhoria das condições carcerárias. A greve de fome durou 15 dias. Mas Lembach, transferido para uma prisão no extremo norte do Chile, só ficou sabendo que o movimento terminara dois dias depois, pois nenhum advogado ou representante dos presos o comunicou do fato. Lembach, que teve fortes dores de cabeça nos últimos dias, melhorou ontem. Ele iniciou a greve de fome com 69 quilos, mas já perdeu 3,3 quilos, segundo os médicos.
O deputado federal Luiz Eduardo Greenhalg (PT-SP) e os deputados estaduais Paulo Teixeira (PT) e Jamil Murad (PC do B) enviaram ontem ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, um pedido para que o Ministério Público denuncie o deputado federal Jair Bolsonaro (PPB-RJ), por causa das declarações em defesa da tortura e da execução dos sequestradores de Abílio Diniz. Eles alegam que o deputado cometeu o delito de incitação ao crime de tortura e deve ser processado perante o Supremo Tribunal Federal.
Em entrevista, o capitão da reserva do Exército classificou os sequestradores de ‘‘vagabundos’’. ‘‘Eles devem ser torturados para revelar os nomes de todos os seus cúmplices’’, disse. Os três deputados sugeriram o nome dos jornalistas Marcelo de Moraes e Rosa Costa, da sucursal de Brasília, como testemunhas do crime. Eles baseiam-se no artigo 19 da Lei de Imprensa e na lei 9.455, de 7 de abril do ano passado, que acompanhou a criação da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.
Os sequestradores Christine Lamont e David Spencer, estão fazendo papel de crianças mimadas. Essa é a opinião de Isabel Vincent, repórter do jornal canadense ‘‘The Globe and Mail’’ - o mais influente do país - e autora do livro Uma Questão de Justiça, versão crítica sobre o caso. Isabel disse não entender por que os sequestradores estão fazendo a greve de fome pela sua expulsão do País. ‘‘Eles não têm o apoio que pensam ter dos canadenses’’.

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