Nova York, 07 (AE-ANSA) - Pio XII suspeitava dos judeus, comunistas e negros, segundo explosivas afirmações de um novo livro do escritor inglês John Cornwell, que sustenta também que o papa Pacelli ajudou o ditador alemão Adolf Hitler a tomar o poder na Alemanha.
Partes do livro, intitulado "Hitlers Pope: The Secret History of Pius XII" (O Papa de Hitler: A História Secreta de Pio XII), foi publicado pela revista americana Vanity Fair.
"Os aliados estavam a ponto de entrar Roma e o papa Pacelli pediu ao embaixador inglês no Vaticano que pressionasse seu Ministério do Exterior para que nenhum soldado negro fizesse parte das tropas de ocupação", escreveu Cornwell.
A atitude tinha tido um precedente, segundo o escritor, quando em 1919 o futuro pontífice, na época núncio em Munique, fez campanha para que os soldados franceses negros abandonassem a Renânia.
Pacelli estava convencido de que os negros violavam e agrediam as crianças, apesar de uma investigação independente promovida pelo Congresso dos Estados Unidos ter provado o contrário.
Mas as acusações mais fortes do livro de Cornwell referem-se às relações entre Pacelli e o nazismo.
Ao estudar documentos do arquivo secreto do Vaticano ele se convenceu de que Pio XII ajudou Hitler a conquistar o poder.
A "teoria" de Cornwell baseia-se em uma reconstrução das negociações entre o próprio Pacelli, seu braço direito Ludwig Kaas e o vice-chanceler do líder nazista, Franz Von Papen, para o Acordo de 1933 entre o Vaticano e o Terceiro Reich.
Hitler havia aceitado assinar o acordo com a condição de que o crucial Partido Alemão de Centro, de inspiração católica e presidido por Kaas, votasse uma lei que lhe daria plenos poderes.
"Foi ele (Kaas) que, completamente dominado por Pacelli, obrigou os delegados a aceitar", escreveu Cornwell.
O movimento seguinte de Hitler foi insistir na dissolução "voluntária" do partido centrista, a última força parlamentar que havia sobrado na Alemanha. "Uma vez mais Pacelli foi o primeiro artífice desta trágica rendição dos católicos", que levou milhões de católicos a se unirem ao Partido Nazista.
Outros documentos consultados por Cornwell revelam que o futuro papa estava convencido de que os próprios judeus foram responsáveis por seu infeliz destino e que uma intervenção em favor deles apenas levaria a Igreja a se aliar com forças inimigas do catolicismo, como os comunistas.
Segundo o escritor, Pacelli expressou seus pontos de vista numa encíclica nunca completada que lhe foi encarregada em 1938 por seu predecessor moribundo, Pio XI, sobre a questão judaica e intitulada "A Humanidade da raça humana".

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