Pio Borges diz que Ford na BA não fere Mercosul
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domingo, 11 de julho de 1999
Por Vânia Cristino 
Brasília, 12 (AE) - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Pio Borges, garantiu hoje que a instalação da Ford na Bahia não fere nenhum acordo assinado com o Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul). Segundo Borges, a reclamação dos argentinos deve-se à frustração da expectativa de exportação de autopeças para o Brasil.
Borges contou que a Argentina esperava exportar para o Brasil 30% de autopeças, no caso de a Ford se instalar em Guaíba
no Rio Grande do Sul. Posteriormente, de acordo com o presidente do BNDES, com a desvalorização cambial, essa expectativa caiu para cerca de 20% e, hoje, com a transferência da fábrica para a Bahia, a exportação de autopeças argentinas deve variar, no máximo, entre 5% e 10%.
O presidente do BNDES explicou que a queda na expectativa de exportação Argentina se deve à previsão de que 17 indústrias satélites de autopeças também se instalarão no Nordeste para dar suporte à fábrica da Ford. Borges adiantou que
a exemplo do financiamento a ser dado para a Ford, o BNDES também poderá financiar parte dos investimentos previstos das indústrias de autopeças, estimados em R$ 900 milhões.
"Ainda não recebemos qualquer solicitação nesse sentido", garantiu.O presidente do BNDES explicou que o aumento do financiamento previsto para a Ford, de R$ 550 milhões para R$ 700 milhões, se deve ao fato de a empresa ter aumentado a capacidade produtiva. Além disso, para o Norte e Nordeste, o limite de financiamento do BNDES é de 70%, enquanto que esse porcentual é de 60% para as demais regiões do País.
Borges não acredita que São Paulo vá perder algo com a instalação da fábrica da Ford na Bahia. "Acho que não se trata de transferência de atividade, mas de expansão", justificou. Na avaliação dele, se a fábrica de São Paulo for lucrativa, a Ford continuará tendo presença no Estado. Caso contrário, a fábrica fechará, independente de ter ou não outra unidade no Nordeste.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, afirmou que é prematura qualquer avaliação sobre se o Brasil estaria ou não ferindo as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) ou do Mercosul com relação à Ford. "O governo está estudando o assunto e não é apropriado fazer qualquer comentário antes de uma posição final", disse. Ele adiantou que o ministério deu o parecer. "O assunto não é exclusivo deste ministério", explicou. Mesmo sem explicitar a opinião, Lafer defendeu a desconcentração industrial como um dos objetivos do governo.


