Curitiba - A delegada Mônica Meinster, do 1º Distrito Policial de Curitiba, responsável por lavrar o flagrante que acusa de roubo o pintor Jurandir Veloso da Costa, 35 anos, e outros três homens, no dia 5 de dezembro, no Centro da cidade, pontua que o caso ganhou repercussão pelo valor do objeto roubado, um lenço, sendo ''esquecido'' o ato de violência. Para a delegada, a vítima, um aposentado de 74 anos, foi abordada por quatro homens jovens que lhe arrancaram do bolso um lenço dobrado que pensavam ser dinheiro.
''Isso é roubo e não furto. Eles não tiveram a 'sorte' de encontrar o dinheiro. Cometeram um ato violento, encurralaram a vítima, uma pessoa idosa, que ficou amedrontada, sem qualquer possibilidade de reação. O senhor correu o risco de ser derrubado, ter se machucado e perdido dinheiro. Poderia ser o pai de qualquer pessoa'', defendeu Mônica. ''O valor do lenço é irrisório, mas não se pode esquecer a violência cometida contra ele. Houve a situação, caso contrário não estariam presos. Essa é foi a minha interpretação'', explicou.
Na edição de ontem, a Folha mostrou a situação do pintor, que está detido no 12º Distrito Policial e que se diz inocente. Segundo a delegada, a vítima reconheceu na delegacia os quatro acusados. ''O senhor nos confessou, que depois de ser roubado algumas vezes, pediu que costurassem um bolso interno na calça. Para lhe roubarem dinheiro, teriam que levar suas calças'', relatou Mônica, informando que os quatro foram levados até o 1º DP por policiais do 12º Batalhão da Polícia Militar. ''Analisei e fiz a autuação em flagrante, que foi comunicada ao juiz da Vara de Inquéritos Policiais e à Defensoria Pública, como é de praxe. Conclui o inquérito no dia 13'', informou ela.
A Polícia Militar confirma que fazia patrulhamento, nas proximidades da Praça Zacarias, quando avistou quatro pessoas em atitude suspeita, ou seja, correndo na rua. Enquanto abordavam os homens, a vítima apareceu no local indentificando-os como autores do roubo que tinha sofrido.
''O Jurandir está sendo desrespeitado no seu direito constitucional de responder em liberdade por ser um réu primário, possuir residência fixa e trabalho lícito. Mesmo que ele seja culpado, teria esse direito. Uma grande arbitrariedade que iniciou com sua prisão, baseada apenas no testemunho da vítima. Agora quanto tempo ele terá que esperar para ser solto'', questiona o advogado de defesa, Marcos César Portes. Ainda na quinta-feira, o Ministério Público ofereceu denúncia e, ontem, a Vara de Inquéritos Policiais a distribuiu para a 14 Vara Criminal de Curitiba.
O Tribunal de Justiça também manteve a decisão negando a liminar para o pedido de habeas corpus de Jurandir, solicitando mais informações à Vara de Inquéritos, além de pedir o parecer do MP. O 12º DP está superlotado, segundo parâmetros estabelecidos pela Lei de Execução Penal. Na cadeia com capacidade para 26 detentos, estão presos 136.

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