Londres, 03 (AE-ANSA) - O ex-ditador chileno Augusto Pinochet, detido na Grã-Bretanha desde 16 de outubro passado, poderá retornar ao seu país se a Espanha retirar o pedido de extradição contra o general, disse hoje (03) um porta-voz do Ministério do Interior britânico. O Chile propôs à Espanha uma arbitragem internacional sobre o caso de Pinochet, o que anularia o pedido de extradição impetrado pelo juiz espanhol Baltasar Gazón. A França, Bélgica e Suíça, também apresentaram solicitações semelhantes, mas estas não foram formalizadas devido ao pedido espanhol. De acordo com o porta-voz do Ministério do Interior, se a Espanha desistir do processo qualquer um desses países poderá reapresentar novamente o pedido de extradição e Pinochet, provavelmente, continuaria preso. A organização humanitária Anistia Internacional disse que os supostos delitos cometidos por Pinochet deverão ser discutidos diante de um tribunal, pois "qualquer outra solução seria prejudicial e destruiria a esperança nascida com este processo". O jornal britânico The Guardian publicou hoje (03) reportagem informando que Pinochet poderá ser libertado se a Espanha desistir do processo de extradição. A matéria ressalta que há várias semanas estão sendo realizadas "negociações secretas" nesse sentido. De acordo com o jornal, o governo espanhol teria como objetivo evitar um "espetáculo judicial", que poderia ser prejudicial do ponto de vista econômico. O juiz espanhol Baltasar Gazón pediu nesta terça-feira (03) explicações à chancelaria de seu país sobre supostas negociações para submeter o caso a uma arbitragem que anularia a ação da justiça espanhola. Numa carta enviada ao chanceler Abel Matutes, Gazón perguntou se a Espanha recebeu do Chile um pedido desse tipo e se a chancelaria ou outro órgão institucional pediu um parecer do Conselho de Estado. De acordo com Garzón, "a possibilidade de celebrar uma arbitragem amistosa poderá interferir com a esfera exclusiva da jurisdição penal e atacar o princípio de independência do poder judiciário". O juiz advertiu na carta que, ao entregar ao Chile (que não faz parte da causa) documentos sobre o caso Pinochet, o governo espanhol "violou um segredo judicial". A agência de notícias espanhola Europa Press obteve, hoje (03), de suas fontes na chancelaria, a informação de que "nada mudou, pois o governo espanhol respeita os procedimentos judiciais, ainda que os ingleses possam fazer o que acreditam".

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