Santiago, 16 (AE-REUTERS) - Cinco meses depois de sua detenção em Londres, a ameaça de uma tormenta pela sorte do ex- ditador Augusto Pinochet parece haver-se dissipado no cenário político chileno.
Pelo contrário, os grupos políticos deixaram de lado a figura de Pinochet em seus discursos de campanha com vistas às eleições presidenciais de dezembro.
"Não convém a ninguém a volta de Pinochet", comentou um analista político ligado ao pólo esquerdista da coalizão governante do Chile.
Para o bloco oficialista, o regresso do homem que regeu o destino do Chile com punho de ferro entre 1973 e 1990 ameaçaria acentuar as reclamações da esquerda para que se faça justiça pelos abusos de direitos humanos cometidos durante o regime militar, revivendo tensões com o governo.
Inclusive na direita, que tradicionalmente apóia Pinochet, alguns vêem com preocupação o rechaço do general da reserva e sua família ao prefeito Joaquín Lavín, candidato presidencial da União Democrata Independente (UDI).
Lavín é o único candidato da direita, enquanto que na coalizão centro-esquerdista do governo aspiram o senador democrata cristão Andrés Zaldívar e o ex-ministro socialista Ricardo Lagos, a quem as pesquisas dão como favoritos.
A detenção de Pinochet em Londres, em 16 de outubro do ano passado, gerou alertas de convulsão e instabilidade no Chile que, por um momento, pareceram se confirmar com as violentas manifestações ocorridas em algumas partes da capital.
Mas as queimas de bandeiras britânicas e espanholas, os protestos em frente à embaixada de ambos países e manifestações estudantis de apoio à detenção de Pinochet estão reduzidos agora ao mínimo em Santiago.
Pinochet foi detido obedecendo um requerimento da Justiça espanhola, que abriu um processo contra ele por crimes contra a humanidade.
O analista Eugênio Tironi, da revista Qué Pasa, destacando a normalidade existente hoje no país em torno da detenção de Pinochet, lembrou que o Congresso voltou a operar normalmente depois dos protestos da bancada direitista.
Entretanto, uma fonte da coalizão governista reconheceu que "se (Pinochet) voltar, ele se converterá em um fator de instabilidade".
A versão foi avalisada pelo ministro das Relações Exterirores, José Insulza, que declarou ao jornal espanhol El País que o regresso do ex-ditador causaria mais problema que sua permanência na Europa.
"Objetivamente, o retorno de Pinochet cria problemas no Chile mais complicados que os de sua permanência em Londres", declarou Insulza.
Fontes oficiais ouvidas pela Reuters afirmaram esperar que a Câmara dos Lordes britânica chegue à uma conclusão na próxima semana no processo judicial para decidir se Pinochet gozava de imunidade em sua qualidade de chefe de Estado quando foi detido.

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