Santiago, 16 (AE-ANSA) - Lúcia, uma das filhas do ex-ditador chileno Augusto Pinochet, disse que seu pai - que pode ser extraditado para a Espanha e julgado por violações dos direitos humanos durante seu regime - "não pedirá perdão".
"Que Fidel Castro ou a mulher de Erich Honecker peçam perdão. Alguém deve pedir perdão quando sentir ter feito algo de mal, mas se uma pessoa acredita que agiu certo, por que pedir perdão?", questionou Lúcia, em declarações divulgadas hoje (16) ao jornal La Tercera.
Pinochet, que governou o Chile de 1973 até 1990 e foi comandante- chefe do Exército entre 1973 e 1998, está preso há 151 dias em Londres a pedido do juiz espanhol Baltasar Garzón e pode ser extraditado se a Câmara dos Lordes decidir que ele não tem imunidade.
"Há dois anos, um relatório sobre direitos humanos destacou que durante o governo do presidente Eduardo Frei estavam sendo cometidos abusos em matéria de direitos humanos. Frei pediu perdão?", perguntou a filha de Pinochet.
Ela acusou o governo do atual presidente chileno de "atuar com frouxidão" diante da detenção de seu pai, apesar de o governo ter argumentado a favor do ex-ditador por sua condição de senador vitalício e exposto o conceito de extraterritorialidade.
Lúcia lembrou que "quando o chanceler José Miguel Insulza esteve em Londres nem falou por telefone com meu pai e Andrés Zaldivar (presidente do Senado), tampouco foi visitá-lo".
"Eu entendo a posição deles, não são amigos, são adversários políticos, mas nesse momento o país tem de prevalecer", afirmou.

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