Londres, 02 (AE-AP) - O general Augusto Pinochet foi submetido hoje (02), em Londres, a um eletrocardiograma depois de queixar-se de fraqueza e cansaço, informou um amigo do ex-ditador chileno de 83 anos. O exame foi realizado em uma clínica próxima à casa onde Pinochet permanece sob custódia da justiça inglesa - que analisa sua possível extradição para a Espanha. "Desde a última semana ele vem sentindo-se muito fraco e cansado", disse o advogado chileno Fernando Barros. "Os médicos consideraram o exame uma precaução adequada para determinar se ele tinha algum problema no coração", explicou. De acordo com Barros, Pinochet provavelmente tomará conhecimento do resultado do exame na segunda-feira. "Muitos que tiveram contato com Pinochet nos últimos dias têm dito que ele está muito abatido. Acredito que as tensões e a prisão geraram essa situação", acrescentou. Pinochet está preso em Londres desde 16 de outubro do ano passado a pedido do juiz espanhol Baltasar Garzón, que solicitou a sua extradição. A Espanha quer julgar o ex-ditador por atos de violação aos direitos humanos ocorridos durante seu governo no Chile. No dia 27 de setembro, terão início as audiências do processo de extradição. Em Madri, o juiz Baltasar Garzón acrescentou mais 22 casos de tortura - cometidas depois de 1988 - ao processo de acusação contra o ex-ditador. Isso aumenta para 106 o total de casos de tortura que o juiz atribui a Pinochet a partir de 8 de dezembro de 1988 - data pelo qual o general pode ser julgado na Espanha, de acordo com a decisão da justiça britânica que concedeu imunidade entre 1973 e 1988. Para Garzón, esses novos casos "oferecem elementos suficientes para relacionar Pinochet com a presente execução", indica o auto com data de ontem (01). A última vez que foram acrescentadas novas acusações no processo contra o ex-ditador foi em 16 de junho, com a inclusão de 12 casos de tortura que ainda devem ser enviados a Londres junto com esses últimos 22. O juiz espanhol também está trabalhando na elaboração do interrogatório de Michael Townley, ex-agente da polícia secreta da ditadura de Pinochet. Garzón recebeu autorização dos Estados Unidos para tomar as declarações do ex-agente como testemunho. Townley, que permanece na qualidade de testemunha protegida, colaborou com as autoridades norte-americanas no processo de Manuel Contreras e outros indiciados pelo assassinato do ex-chanceler chileno Orlando Letelier, em Washington, em 1976. Acredita-se que o ex-agente possa revelar detalhes importantes sobre o crime em 1976 do funcionário das Nações Unidas, Carmelo Soria, em Santiago.

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