Pinochet crê que morrerá na Grã-Bretanha
Santiago, 9 (AE-ANSA) - Reagindo à sentença de ontem(8) do juiz britânico Ronald Bartle, acatando o pedido feito pela Justiça espanhola para extraditá-lo, o ex-ditador chileno Augusto Pinochet já não crê na possibilidade de retornar ao Chile e acredita que morrerá na Grã-Bretanha. "Essa foi minha sentença de morte", afirmou o general ao tomar conhecimento da decisão judicial, de acordo com o jornal chileno La Tercera, que cita como fontes dois filhos do militar, Jacqueline e Marco Antonio.
Ele acompanhou a audiência decisiva pela TV, de um dos dormitórios da luxuosa mansão de Surrey, nos arredores de Londres, onde é mantido em prisão domiciliar. Pinochet, líder de uma das mais sangrentas ditaduras da América Latina, entre 1973 e 1990, foi detido em 16 de outubro do ano passado pelas autoridades britânicas, em atendimento a uma ordem internacional de captura emitida pela Justiça espanhola.
Em Madri, o juiz de instrução Baltasar Garzón pretende levá-lo ao banco dos réus pelas atrocidades cometidas durante o regime militar chileno. Mas, por decisão da Justiça britânica, ele só pode ser responsabilizado por 34 casos de tortura e 1 de conspiração para torturar, registrados após dezembro de 1988, quando a Grã-Bretanha firmou uma convenção que tornava internacional a jurisdição para crimes de tortura. Espanha e Chile são co-signatários do documento.
Entre os juristas dos três países envolvidos, porém, ganha força a tese de que Pinochet jamais será levado à Espanha. O ex-ditador, de 83 anos, apresenta diversos problemas de saúde e o governo chileno está disposto a renovar os apelos a Londres para que lhe conceda a liberdade por "razões humanitárias". Além disso, prevê-se que ele não será levado a Madri antes de uma batalha judicial que pode durar mais de dois anos.





