Pinel adota computador em terapias
Agência Folha
De São Paulo
Pacientes do Instituto Philippe Pinel, no Rio de Janeiro, estão descobrindo um novo aliado no tratamento de doenças mentais: o computador. Com a ajuda do Comitê pela Democratização da Informática (CDI), ONG que organiza escolas de informática em comunidades carentes, a direção do Pinel está oferecendo a 22 pacientes aulas de informática e cidadania desde janeiro. O projeto ainda está em fase inicial, mas seus resultados já começam a aparecer.
Usar o computador me deixa aliviado e me ajuda a esquecer os problemas, conta Valter Rosa, 46, que já ficou internado por dois períodos no Pinel. No início, a reação dos usuários (como os pacientes gostam de ser tratados) era uma incógnita para a direção do instituto. Não tínhamos nenhuma informação de outras instituições no Brasil ou no exterior que já tivessem usado o computador como instrumento para o resgate da cidadania e da auto-estima dos pacientes, afirma o diretor do Pinel, Fernando Ramos.
Uma das primeiras decisões do instituto foi a de disponibilizar as aulas para qualquer paciente que deseje. Todos têm o direito de fazer o curso, mesmo aqueles com um estágio mais crônico de doença mental. Mesmo que o paciente fique apenas olhando para a tela do computador, isso pode ajudá-lo a se sentir menos excluído , afirma Tereza Munerat, coordenadora do núcleo de trabalho e geração de renda do Pinel. Em poucos dias de aula, a primeira turma de usuários mostrou que iria tirar do computador muito mais do que alguns esperavam. É o caso de Valter Rosa, que aprendeu rapidamente a controlar o mouse e já nas primeiras aulas chamou a atenção da professora pela qualidade dos desenhos que fazia.
Com duas aulas apenas, ele já começava a esboçar no computador os desenhos a que estava acostumado a fazer em papel, cheios de símbolos e cores. Ele faz esses desenhos no Paintbrush, que é um programa de computador com pouquíssimos recursos , conta Alessandra Galdo, 37, professora da escola.
Uma das maiores vantagens de se oferecer esse serviço é reduzir o isolamento dos pacientes. Por causa do preconceito e da falta de informação, a sociedade isola pessoas que sofrem de problemas mentais. Queremos prepará-los para que tenham mais facilidade para serem aceitos , conta Munerat.
Dominar a linguagem do computador e da Internet é uma das maneiras de reduzir esse isolamento. A gente ouve falar de Internet para lá e para cá, mas fica sem entender bem o que é isso. Eu me sinto como se estivesse sendo alfabetizado de novo , afirma Jadir Ferreira, 37, que esteve internado duas vezes no Pinel e hoje faz tratamento no instituto.
Para alguns alunos do Pinel, dominar a linguagem dos computadores tem um significado especial. Eu era motorista e gostava da sensação controlar um carro. Hoje, não posso mais fazer isso por causa dos remédios que tomo. Me sinto realizado quando o computador faz o que eu mando. É uma forma de dominar uma máquina , diz Valter Barbosa, 41.
Os alunos da escola de informática do Pinel estão aprendendo também a se comunicar por meio da Internet. Como na Internet você não precisa ter um contato físico para se comunicar, isso pode ajudar aqueles mais tímidos e que têm algum medo de não serem aceitos , afirma Munerat.Instituição usa a máquina como instrumento para o resgate da cidadania e da auto-estima dos pacientes
Arquivo FolhaRESGATE DA CIDADANIADominar a linguagem do computador é uma das maneiras de reduzir o isolamento dos pacientes do Pinel e alguns estão aprendendo também a se comunicar por meio da Internet





