Brasília, 21 (AE) - O articulador político do governo federal e ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, pretende que a reunião, no dia 26, dos governadores com o presidente Fernando Henrique Cardoso seja a primeira de várias durante o segundo mandato. "Teremos uma pauta aberta que deverá render muitas outras conversas, na inauguração desse canal aberto com os governadores", disse.
A "pauta aberta" do encontro inédito, contudo, poderá aumentar a dor de cabeça na esfera federal se o prato principal for a tentativa de renegociação das dívidas estaduais com o governo federal, que somam R$ 130 bilhões. Essa pauta é a intenção dos governadores de oposição. "Se a pauta é aberta, o presidente estará livre para ouvir o que quer e o que não quer, assim como falar da mesma forma, para ouvirmos o que queremos e o que não desejamos", destacou o governador do Acre, Jorge Vianna (PT).
Segundo Vianna, se o governador mineiro Itamar Franco (PMDB), faltar à reunião, será uma "grande perda". "Não critico a decisão do governador se ele não for, mas estaremos levando ao presidente os problemas em comum que listamos no encontro em Belo Horizonte, com os sete governadores de oposição, além da Carta de Porto Alegre", anunciou.
Para o governador acreano, seria "democraticamente saudável" a definição de encontros como o de sexta-feira durante o segundo mandato de Fernando Henrique. "Foi um gesto importante marcar a reunião, mostra que o governo federal quer abertura para uma nova relação de diálogo", elogiou. "Temos certeza que o encontro vai ser mais do que uma reunião para a mídia".
"A intenção do governo federal é mostrar a transparência que rege sua administração, colocar na mesa os problemas e tentar buscar soluções; com a união de todos os Estados no mesmo objetivo, a tendência é que o sucesso dessa dê fôlego para reuniões futuras", afirmou o secretário de políticas regionais, Ovídio de Angelis. A idéia dessas próximas reuniões, segundo um assessor palaciano, é que elas possam ser itinerantes, alternando o endereço para Estados governados por partidos aliados à presidência tucana.

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