Brasília, 26 (AE) - Após a reunião dos governadores com o presidente Fernando Henrique Cardoso, o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, reafirmou que o entendimento é possível e será trilhado daqui para diante. "Peço aos governadores que dêem as mãos em favor do Brasil", disse o ministro tucano, parafraseando o presidente, para definir a mudança no tom das relações entre o governo federal e os Estados. Na avaliação de Pimenta da Veiga, o diálogo "legítimo e extremamente positivo" dos governadores com o presidente Fernando Henrique deverá ser "rotina" daqui para diante.
"Na próxima semana, o presidente deverá receber o governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra e, se for solicitado, também estará de gabinete pronto para receber o ausente", avisou, referindo-se indiretamente ao governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), adversário que não atendeu aos apelos do presidente para a distensão. A cautela do ministro faz parte da estratégia do governo para atrair Itamar Franco para o diálogo.
Questão judicial - Entre as medidas acertadas entre os governadores e o presidente, há alguns pontos cuja execução depende da Justiça. Este seria o caso, segundo Pimenta da Veiga, do parcelamento do pagamento dos precatórios (ações judiciais), assunto levantado pelo governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB). "Além de hoje os Estados terem de pagar precatórios de uma vez só, também os municípios sofrem com essa imposição", comentou o ministro.
Durante a reunião, contou o articulador político do presidente, o governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), teria afirmado que há 40 municípios em São Paulo compelidos a pagar precatórios sem previsão financeira para isso. A idéia é que o pagamento dos precatórios possa ser rolado em até "dois, três, quatro exercícios", informou o ministro. Pimenta da Veiga disse
entretanto, que serão determinados "critérios rígidos" para a utilização dos recursos judiciais pelos Estados. "A intenção é criar uma lei federal que permita a criação de outras leis estaduais para facultar as regras aos Estados para a utilização desses recursos", contou.

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