Brasília, 19 (AE) - O ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, cobrou hoje providências das empresas de telecomunicações para evitar problemas nas linhas telefônicas na virada do ano, por causa do bug do milênio. Pimenta da Veiga alertou para a necessidade de as empresas entrarem em contato com seus fornecedores e prestadores de serviço para garantir a compatibilização dos sistemas de informática.
"Desculpas não serão aceitas", afirmou o ministro. "Não podemos aceitar que haja problema num setor como o de telecomunicações, que afeta toda a economia e a vida do País." Os contratos das operadoras com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) prevêem multas de até R$ 30 milhões, caso sejam comprovadas falhas que comprometam a qualidade do serviço.
Mas Pimenta da Veiga não quis falar em punições. "É preciso verificar que falha tenha ocorrido para poder saber a punição", esquivou-se. "Não quero falar em punição, pois não vai haver falha." De acordo com o Superintendente de Serviços Públicos da Anatel, Edmundo Matarazzo, as empresas ganharam experiência após o caos vivido em julho, em diversas regiões do País, quando milhares de pessoas não conseguiram completar suas ligações por causa do novo sistema DDD. "A situação agora é diferente e mais simples", disse Matarazzo.
Pimenta da Veiga entende que qualquer problema nos sistemas de telefonia na virada do ano será atribuído pela população às companhias de telecomunicações. Daí a necessidade de planejamento e contato, por parte das operadoras, com empresas de setores dos quais dependem, como o de energia elétrica, por exemplo. "Não adianta depois dizer que funcionou bem e que o vizinho não", observou Pimenta da Veiga.
Para a Anatel, segundo Matarazzo, o ponto vulnerável das empresas de telefonia é o sistema de cobrança. No teste realizado este ano com as companhias, houve falha no processamento de dados relativos às ligações e um programa precisou ser corrigido.
Se o problema tivesse ocorrido numa situação real, clientes teriam recebido a conta telefônica com erros. Além disso, há a necessidade de redobrar a atenção com serviços terceirizados, como o de impressão das contas, por exemplo.
Mas o risco de panes telefônicas existe mesmo que não haja problema nas linhas. Segundo Matarazzo, isso poderá ocorrer se a maioria da população tentar fazer ligações na virada do ano
período em que, normalmente, o número de chamadas cresce cerca de 40%. "Se todo mundo resolver tirar o fone do gancho após a meia-noite, a gente pode ter um problema que não terá sido causado pelo bug", afirmou Matarazzo.
O bug do milênio - falha que poderá levar os computadores a achar que o ano 2000 é, na verdade, o ano 1900 - não representa ameaça ao sistema elétrico, afirmou o diretor de Operações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Carlos Ribeiro. Isso porque, segundo Ribeiro, as precauções foram tomadas a tempo e o teste realizado em junho não detectou nenhum problema.

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