Pílula abortiva evita câncer de mama
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de dezembro de 2006
France Presse 
Washington- A principal substância contida na pílula abortiva RU-486, a mifepristona, impede o crescimento de tumores cancerosos nas glândulas mamárias, provocados pela mutação de um gene responsável pela maior parte dos cânceres de mama e ovários, anunciaram nesta quinta-feira cientistas americanos.
A mifepristona impede o desenvolvimento dos tumores de mama ao neutralizar a progesterona, um hormônio que desempenha um papel chave no sistema reprodutivo feminino, explicaram os pesquisadores em um estudo que será publicado na edição desta sexta-feira da revista americana Science.
Esta descoberta, realizada a partir de experiências com camundongos, abre caminho para novos métodos de prevenção do câncer das glândulas mamárias e de ovários para mulheres com predisposição genética.
''Nós descobrimos que a progesterona tem um papel no desenvolvimento do câncer de mama, ao facilitar a proliferação das células mamárias que contêm um gene (o BRCA-1), cuja mutação é responsável pelo câncer'', explicou Eva Lee, professora de biologia celular e de bioquímica da Universidade da Califórnia (oeste dos EUA), em Irvine, principal autora da pesquisa.
''A mifepristona pode bloquear este mecanismo, o que traz esperanças para novas opções de prevenção para as mulheres com alto risco de desenvolver câncer de mama'', afirmou a cientista em comunicado.
Aos 70 anos, mais de 50% das mulheres portadoras deste gene mutante desenvolvem câncer de mama ou ovários, indicaram os autores do estudo.
Nenhum dos camundongos que os pesquisadores descobriram portadores do gene BRCA-1 mutante e tratados com a mifepristona desenvolveu tumores mamários em um ano, uma idade avançada para estes animais. Ao contrário, todos aqueles pertencentes ao grupo de controle, que não foi tratado com mifepristona, tiveram câncer de mama em oito meses.


