A Food and Drug Administration (FDA, órgão responsável pelo controle de remédios e alimentos nos EUA) liberou ontem o RU-486, medicamento francês conhecido como pílula do dia seguinte ou pílula do aborto. A expectativa era que a decisão mudasse radicalmente o quadro dos abortos nos EUA, reduzindo os procedimentos invasivos, que chegam a 1,3 milhão por ano. Mas a FDA impôs restrições ao uso da RU-486 comparáveis às existentes para a talidomida e para narcóticos usados para aliviar a dor em pacientes com câncer.
Em todos os países em que é vendida, a pílula só pode ser usada num prazo de 49 dias contados a partir do início da última menstruação - o que já reduz consideravelmente o número de mulheres que desconfiam de uma gravidez.
Nos EUA, a droga - que na verdade combina dois princípios ativos - só poderá ser prescrita por médicos autorizados a praticar abortos cirúrgicos, capazes de datar com precisão o tempo de gravidez e identificar casos de gravidez tubária e que tenham privilégios de acesso a hospitais onde possam chegar em, no máximo, uma hora. Além disso, a mulher precisará ir três vezes ao consultório médico. Na primeira, deverá tomar três comprimidos de mifepristona. Dois dias depois, no retorno, recebe um comprimido de misoprostol, que provoca contrações uterinas para expulsar o embrião. Na última visita, duas semanas depois, o médico deverá verificar se houve expulsão completa do embrião e, em caso contrário, realizar um aborto cirúrgico.
A liberação da pílula do aborto nos EUA demorou quase uma década, a despeito de seu sucesso na França, onde é vendida desde 1988, Israel, China e praticamente todos os países da Europa. A RU-486, com uma eficiência que oscila entre os 92% e 95% dos casos, bloqueia a ação da progesterona, impedindo que o embrião continue fixado na parede do útero. Ninguém sabe ao certo quanto vai custar a RU-486, que terá o nome comercial de Mifeprex.(AFP)

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