Pilotos voam em homenagem aos cem anos do 14 Bis
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segunda-feira, 23 de outubro de 2006
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Confesso que nunca tive muita intimidade com altura. Até ontem, minhas experiências se baseavam em vôos em grandes aeronaves, onde praticamente, não sentimos os movimentos durante o percurso. Por isso, voar de ultraleve seria um grande desafio. Mas o vôo tinha um motivo especial: prestar homenagem aos cem anos de realização do histórico vôo de Alberto Santos Dumont com a aeronave 14 Bis, em Paris. Uma façanha que o projetou para o mundo, depois de tantas tentativas de realizar o sonho de voar.
A homenagem aconteceu em todo o Brasil, numa iniciativa da Associação Brasileira de Ultraleves (ABUL), e recebeu o nome de Brasil no Ar. Às 16h45, horário em que Santos Dumont realizou o primeiro vôo, usando exclusivamente a força de seu motor, nove aeronaves decolaram da pista do Clube de Aviação Experimental do Paraná (Caepe), em Ibiporã (14 Km a leste de Londrina) para o passeio.
A intenção em todo o Brasil, era colocar o maior número de aeronaves no ar e requisitar ao Guiness Book, o registro de record de ''maior número de aeronaves em vôo num mesmo momento, pelo mesmo motivo''. O clima não colaborou. Tempo nublado e com muito vento. ''Em dias normais não teríamos feito esse vôo'', afirmou Sidney Polis Júnior, fundador da primeira escola de ultraleve do Brasil. ''Foi um dos piores dias para voar. A turbulência é muito grande e não costumamos arriscar''. Não preciso dizer que só soube disso quando pousamos, depois de 40 minutos de vôo.
Acompanhada do piloto Luis Alfredo Bogo, entrei na aeronave apertada, com cabine, mais moderna. Um PU Lia, modelo Tecnan P96. Com 16 anos de experiência em vôo, Bogo é piloto de avião, de helicóptero e possui três mil horas de vôo.
Apertado o cinto e colocado o fone nos ouvidos para acompanhar a comunicação dos pilotos, partimos em fileira para a decolagem. A expectativa é grande logo na subida. Movimentos mais bruscos nas curvas, turbulência, mas aos poucos, a gente se acostuma à altura. E aí, depois de controlado o medo, vem a sensação de liberdade.
Voamos a uma média de 200 km por hora, a cerca de três mil pés de altura, o equivalente a 500 metros do chão. As posições das aeronaves eram repassadas o tempo todo para os demais pilotos. Em determinados momentos, as aeronaves ficavam lado a lado.
A comunicação é feita através de radar e do transponder, equipamento que permite a transmissão de informações. ''É um vôo super seguro e devemos tudo isso a Santos Dumont'', afirmou Bogo, arriscando rasantes sobre a pista a 220 km por hora. Para uma marinheira de primeira viagem, momentos indescritíveis.
Durante o vôo, também em comunicação com outras aeronaves que cortavam o céu da região, os pilotos davam vivas a Santos Dumont, uma forma de homenagear o gênio que desde menino acreditou que o homem um dia, poderia voar. E voou. Ficou mais fácil imaginar o porquê do fascínio pelo ar.


