Os pilotos do voo AF447 da Air France, que caiu no Atlântico em 2009, "não entenderam em nenhum momento que o avião estava caindo", afirmou nesta quinta-feira Jean-Paul Troadec, diretor do BEA, órgão que apurou as causas do acidente.

Pouco mais de três anos após o acidente, o BEA (Escritório de Investigações e Análises, na sigla em francês) divulgou nesta quinta suas conclusões finais sobre o acidente que matou 228 pessoas.

O fato de não identificar que o avião, a cerca de 11 mil metros de altitude, estava despencando a uma velocidade vertical de 200 quilômetros por hora, impediu que "houvesse ações que permitissem recuperar" a aeronave, diz o relatório.

"O comandante não diagnosticou a situação de perda de sustentação do avião. A situação ficou praticamente fora de controle", declarou Troadec durante a coletiva em Bourget, nos arredores de Paris.

Nesta apresentação à imprensa das conclusões sobre as causas da tragédia, os investigadores deram maior enfoque aos erros humanos cometidos pela tripulação.

O resumo do relatório entregue à imprensa (o documento total reúne cerca de 300 paginas) também aponta inúmeras falhas cometidas pela tripulação, como a "identificação tardia do desvio da trajetória e a correção insuficiente feita pelo piloto".

Mas durante a coletiva, os investigadores acabaram reconhecendo, como haviam explicado aos familiares horas antes, que alguns ações dos pilotos foram motivadas por dados errôneos nos equipamentos do avião. É o que ocorreu com o diretor de voo, que fornece a posição da aeronave para que o piloto siga determinados parâmetros.

Em algumas situações, o instrumento orientou os pilotos a continuarem subindo no momento em que o avião perdia a velocidade. Nesse caso, a ação correta deveria ter sido o contrário. Além das falhas humanas, o relatório do BEA também aponta erros técnicos dos equipamentos, como o congelamento das sondas pitot, que medem a velocidade do avião.

"Houve dois acontecimentos determinantes: o congelamento das sondas pitot e o fato de os pilotos não identificaram a perda de sustentação do avião", afirmou Troadec. O congelamento das sondas em alta altitude provou a perda dos indicadores de velocidade e o desligamento do piloto automático. Apenas três minutos e meio depois, o avião caiu no oceano.

Mas em momento algum durante a coletiva, o BEA, ligado ao governo francês, acionista da Air France e da Airbus, criticou a ação dessas duas empresas.
Já existia na época uma nova geração de sondas pilot, mas a Air France só efetuou a troca do equipamento em sua frota após a catástrofe do AF 447.
"De forma alguma estamos minimizando o problema do congelamento dos sensores de velocidade", afirma Troadec.

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