Pilotos do Legacy foram negligentes
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quinta-feira, 14 de dezembro de 2006
Vannildo Mendes<br> Agência Estado 
Relatório entregue ontem pela Polícia Federal à Justiça Federal em Sinop, Mato Grosso, revela que os pilotos do jato Legacy, os americanos Joseph Lepore e Jan Paladino, agiram com negligência ao voarem por mais de 50 minutos com o sistema anticolisão desligado.
Esse sistema é composto de dois equipamentos vitais na navegação aérea, o TCAS, que desvia automaticamente a aeronave para evitar o choque com outra que se aproxima, e o transponder, que emite sinais para outros aviões e para o controle de terra, dando sua posição.
Conforme o relatório, assinado pelo delegado Ramon Almeida da Silva, encarregado da investigação, o transponder foi religado dois minutos após o choque com o avião da Gol. Lepore e Paladino estão indiciados no inquérito por terem colocado em risco o tráfego aéreo, com os agravantes das mortes.
Instantes após o acidente, às 17h19, os dois pilotos travaram um diálogo que a PF reputa como esclarecedor, por indicar que o sistema anticolisão estava mesmo desligado. O teor da conversa está protegido por sigilo legal previsto no Código Militar.
A PF pediu mais prazo para aprofundar as investigações e uma definição sobre sua competência para indiciar os controladores de vôo que cometeram erros desde a decolagem do jato, em São José dos Campos.
Mais verbas - O ministro da Defesa, Waldir Pires, viu seu principal argumento na crise da aviação ir por água abaixo ontem quando um de seus subordinados, o brigadeiro Neimar Dieguez Barreiro, apresentou os bloqueios orçamentários sofridos pela Aeronáutica e disse que o controle de tráfego aéreo precisa de mais dinheiro. O ministro sempre negou o bloqueio de verbas.
Titular da Secretaria de Economia e Finanças da Aeronáutica, o brigadeiro Dieguez citou um saldo de R$ 364 milhões do Fundo Aeronáutico, composto de tarifas pagas pelas empresas aéreas. ''A aviação hoje exige que se faça mais investimentos, mas a arrecadação própria não é suficiente'', apontou o militar, pedindo verbas do Tesouro.
Ao dizer isso, em audiência na Câmara dos Deputados, o brigadeiro ecoou críticas semelhantes feitas segunda-feira pelo Tribunal de Contas da União, em auditoria. (Colaborou Iuri Dantas/Folhapress)


