Piloto coordenou fuga de assaltantes que levaram 300kg de ouro da Vale
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sábado, 06 de novembro de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 07 (AE) - A fuga do bando armado que assaltou um avião no aeroporto de Carajás, no sul do Pará, levando 300 quilos de ouro da Companhia Vale do Rio Doce, na sexta-feira, foi comandada por um homem que dizia o tempo ser também piloto e conhecer tudo sobre aviação e a região amazônica. Foi ele quem orientou o piloto José Demerval Feliciano sobre o local onde o avião deveria pousar, uma fazenda em São Félix do Xingu, a 180 quilômetros de Carajás.
A Polícia Federal já teria todas as informações sobre o líder da quadrilha, mas não revela o nome para não prejudicar as investigações. Nenhum dos 12 assaltantes foi preso até agora preso. O piloto José Feliciano foi ouvido hoje, em depoimento, pelo delegado de Parauapebas, Carlos Mota.
As polícias Federal, Civil e Militar do Pará estão monitorando as estradas do sul do Estado à procura dos assaltantes. O superintendente da PF no Pará, Geraldo Araújo, pediu ajuda à Aeronáutica, em Brasília, para tentar localizar o avião com os assaltantes. A existência de muitas pistas clandestinas de pouso em São Félix do Xingu e a ausência de radares na região dificultam as buscas.
O piloto José Feliciano contou ao delegado ter sido obrigado pelos assaltantes a decolar de Carajás com uma das portas do avião semi-abertas. "Tive medo que o avião caísse, mas não podia fazer nada, porque o tempo todo um deles apontava uma escopeta para minha cabeça." Ele disse ter ficado impressionado com o sangue frio do líder do bando. Foi esse homem que assumiu o comando do bimotor depois que Feliciano e o co-piloto foram libertados em São Félix.
"Enquanto os bandidos tentavam fechar a porta, em pleno vôo, o líder disse que eu devia manter a velocidade, no máximo, em 200 kms por hora. Isso evitaria a queda do aparelho." Feliciano acredita que um outro avião estava à disposição da quadrilha, em algum lugar da região, porque os assaltantes haviam comentado isso com seu líder.
O superintendente Geraldo Araújo não descarta a possibilidade de envolvimento no assalto de funcionários da Vale e da companhia de segurança que transportava o ouro do Igarapé Bahia até o aeroporto de Carajás. "A operação era sigilosa", observou. A polícia trabalha também na investigação de que todo o ouro roubado já teria sido vendido a uma empresa. A direção da Vale não confirma a informação. A empresa se exime de ter falhado na segurança do transporte do ouro até Carajás, alegando que a responsabilidade é da empresa Prosegur, contratada pela empresa.


