Piloto coordena o roubo do avião com 300 quilos de ouro
Carlos Mendes
Agência Estado
De Belém
A fuga do bando armado que assaltou um avião no aeroporto de Carajás, no sul do Pará, levando 300 quilos de ouro da Companhia Vale do Rio Doce, na sexta-feira, foi comandada por um homem que dizia o tempo todo ser também piloto e conhecer tudo sobre aviação e a região amazônica. Foi ele quem orientou o piloto José Demerval Feliciano sobre o local onde o avião deveria pousar, uma fazenda em São Félix do Xingu, a 180 quilômetros de Carajás.
A Polícia Federal já teria todas as informações sobre o líder da quadrilha, mas não revela o nome para não prejudicar as investigações. O piloto José Feliciano foi ouvido ontem pelo delegado de Parauapebas, Carlos Mota.
As polícias Federal, Civil e Militar do Pará estão monitorando as estradas do sul do Estado à procura dos assaltantes. O superintendente da PF no Pará, Geraldo Araújo, pediu ajuda à Aeronáutica, em Brasília, para tentar localizar o avião. A existência de muitas pistas clandestinas de pouso em São Félix do Xingu e a ausência de radares na região dificultam as buscas.
O piloto José Feliciano contou ao delegado ter sido obrigado pelos assaltantes a decolar de Carajás com uma das portas do avião semi-aberta. Ele disse ter ficado impressionado com o sangue frio do líder do bando. Foi esse homem quem assumiu o comando do bimotor depois que Feliciano e o co-piloto foram libertados em São Félix. Enquanto os bandidos tentavam fechar a porta, em pleno vôo, o líder disse que eu devia manter a velocidade, no máximo, em 200 km por hora. Isso evitaria a queda do aparelho.
O superintendente Geraldo Araújo não descarta a possibilidade de envolvimento no assalto de funcionários da Vale e da companhia de segurança que transportava o ouro do Igarapé Bahia até o aeroporto de Carajás. A operação era sigilosa, observou.





