Piloto contradiz depoimento de coronel sobre droga
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sexta-feira, 23 de abril de 1999
Agência Estado 
O major-aviador Antônio Takuo Tani, piloto do avião Hércules C-130, da Força Aérea Brasileira (FAB), onde foram encontrados no domingo cerca de 33 quilos de cocaína, negou que tivesse conhecimento do material. A droga foi entregue em duas malas pelo coronel-aviador Paulo Sérgio Pereira de Oliveira, que está preso em uma unidade militar, em Recife, desde quarta-feira. Tani prestou depoimento, ontem à tarde no Rio.
O major explicou que decidiu transportar as malas por um ato de camaradagem a Pereira, que foi seu chefe na 5ª Força Aérea do Campo dos Afonsos, em 1998, até o coronel ser transferido para o Centro de Operações da Amazônia, em Manaus. Tani contou que a Polícia Federal revistou as bagagens na Base Aérea de Recife antes do Hércules decolar para Europa. O destino final do avião seria a França, mas a droga deveria ser desembarcada em Las Palmas, nas Ilhas Canárias, Espanha, onde estava prevista uma escala.
Segundo o oficial militar, para abrir as duas malas com a cocaína foi solicitada autorização via fax ao coronel Pereira, que permitiu a abertura. O major desmentiu o fax de autorização do coronel, segundo o qual a droga seria entregue a um homem identificado como Roberto. A orientação que recebi foi entregar as malas a um motorista de táxi chamado Manolo, afirmou Tani. Esse motorista fazia serviços para oficiais da FAB, como câmbio de moeda, transportes e reservas em hotéis. No depoimento do coronel Pereira ao Inquérito Policial-Militar (IPM), aberto pela Aeronáutica em Recife, o destinatário final da encomenda seria seu irmão José Carlos Pereira, que mora na Europa.


