Pichadores ameaçam funcionários de empresa que faz a limpeza de monumentos no centro de SP
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2000
Por Valéria Rossi 
São Paulo, 23 (AE) - Sete funcionários da empresa Engelimpe - responsável pela limpeza dos monumentos no Largo da Memória, no centro - estão apavorados. Há duas semanas, eles vêm sendo ameaçados por grupos de mais de 50 pichadores, que atuavam na área. Mesmo com a vigilância de quatro guardas metropolitanos, por 24 horas, os pichadores cercam o local e advertem: "Limpem logo nossa área, para que possamos sujar tudo de novo".
É o que conta um dos operadores de limpeza, Fábio Barbosa da Silva, de 19 anos. "Estamos com medo; eles falam que vão nos pegar, que estão sacando nossa cara". O diretor da empresa Flávio Calazans de Freitas garante que está adotando medidas de segurança para garantir o trabalho dos funcionários e resguardar os monumentos. Esta semana, os funcionários embalaram o obelisco em um tela de náilon.
O painel, pintado no início do século à mão pelo artista José Wasth Rodrigues, também será protegido. Segundo Freitas, o restaurador vai limpá-lo de dentro de uma grade. Hoje, os funcionários estavam montando os andaimes. A limpeza de todo o Largo da Memória deve durar pelo menos dois meses.
O coronel Wagner Kourrouski, da Guarda Civil Metropolitana, informou que não há como aumentar o efetivo de guardas no largo. Segundo ele, existem 16 guardas divididos em 4 turnos. "Infelizmente, temos outras prioridades". O coronel ressalta que está aguardando o aumento da frota de carros para intensificar as rondas em áreas de patrimônio público. Guerra - A Operação Limpeza dos Patrimônios Históricos teve início no dia 8. Segundo o arquiteto do Departamento de Património Histórico (DPH) Breno Beizousky, o serviço pode ser comparado com uma "operação de guerra". "Os pichadores reúnem-se aqui todas as sextas-feiras, quando articulam novos ataques" disse. "Eles estão em estado de alerta pronto para sujar aquilo que limpamos".
O arquiteto conta, com tristeza, que há uma semana o monumento de Carlos Gomes, no centro, foi pichado poucos dias após ser limpo. Levantamento do DPH revela que, dos 349 monumentos da capital, 210 (60%) estão tomados por rabiscos, siglas e desenhos com identificações de gangues de pichadores.


