PIC quer responsabilizar Jockey por show
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quarta-feira, 04 de junho de 2003
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Promotoria de Investigações Criminais (PIC) órgão vinculado ao Ministério Público (MP) estadual quer estender a responsabilidade penal pelo incidente ocorrido no show de rock ''Unidos pela Paz'', ao presidente do Jockey Club do Paraná, Luiz Mussi, que ocupa também o cargo de secretário de Estado da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul. De acordo com o promotor da PIC, Dicesar Augusto Krepsky, Mussi está sendo notificado para prestar depoimento. Três adolescentes morreram pisoteados e várias pessoas ficaram feridas num tumulto na entrada do evento.
Até agora, apenas o promotor do show, Athayde de Oliveira Neto, foi indiciado por homicídio doloso no inquérito conduzido pela Delegacia de Homicídios e teve a prisão temporária decretada no último domingo. Athayde continua foragido. O advogado que o representa, Júlio Militão, disse anteontem que já havia protocolado pedido de habeas corpus no Tribunal de Alçada (TA), mas ontem corrigiu a informação, garantindo que o processo será ajuizado hoje.
Ontem, a PIC conseguiu a quebra de sigilo bancário de Athayde. Um dos promotores da PIC designados pela Procuradoria Geral de Justiça para investigar o caso, Dicesar Augusto Krepsky, disse que a intenção é bloquear todos os ativos financeiros que Athayde eventualmente tenha, já que o show movimentou soma considerável de dinheiro. A PIC está atrás de documentos que comprovem o envolvimento de outras pessoas na organização do evento, inclusive, o vínculo documental com os empresários das bandas Raimundos, Tihuana, Natiruts e Charlie Brown Jr., que fizeram o show.
O dono da loja que serviu de ponto de venda dos ingressos prestou depoimento ontem na PIC. Segundo Krepsky, a informação mais relevante foi a de que a pessoa encarregada de recolher, diariamente, o dinheiro arrecadado manifestou preocupação com o número de ingressos que estavam sendo vendidos.
Krepsky afirmou que há muita polêmica com relação à falta de segurança no Jockey Club do Paraná para um evento com público de mais de 30 mil pessoas. Por isso, o promotor pede que as pessoas que estiveram no show e presenciaram o empurra-empurra que acabou em tragédia compareçam ou entrem em contato com a Delegacia de Homicídios (0xx41224-1348) ou com a PIC (0xx41254-1195) para prestar esclarecimentos e ajudar nas investigações.
Já foi apurado que o Corpo de Bombeiros não emitiu laudo aprovando as condições do local. O promotor não descarta que, no decorrer das investigações, as autoridades de segurança pública também sejam responsabilizadas.
O presidente do Jockey Club, Luiz Mussi, não atendeu as ligações feitas para seu celular e nem retornou os recados. A assessoria de comunicação do Palácio Iguaçu informou que o governo não irá se manifestar, pois o caso não tem relação com o cargo de secretário que Mussi ocupa.


