Seul, 21 (AE-AP) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o governo da Coréia do Sul refizeram as projeções de crescimento do país este ano de apenas 2% - estimativa divulgada em janeiro - para surpreendentes 7%, mas alertaram para os riscos de pressões inflacionárias no futuro.
Refletindo a mesma preocupação, o Instituto Coreano de Finanças (ICF), entidade estatal de pesquisas, revelou ter identificado sinais de superaquecimento em alguns setores da economia e sugeriu mudanças na política monetária no sentido de reduzir a liquidez para conter eventuais altas de preços.
A análise sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) sul-coreano consta do relatório trimestral de avaliação feito pelo FMI. Esse documento é uma forma obrigatória de acompanhamento acertada no âmbito do acordo que possibilitou a concessão de um crédito de US$ 58,35 bilhões ao país em 1997.
Embora o informe aponte os riscos de pressões inflacionárias, os especialistas da instituição multilateral não solicitaram formalmente um aperto na política monetária.
Já o relatório produzido pelo ICF deixa claro que "para prevenir as pressões sobre os preços, seria desejável que o governo permitisse uma elevação dos juros de curto prazo de 4 70% ao ano para 6%, além de realizar um ajuste no câmbio de modo a assegurar que o dólar ficasse um pouco mais barato, passando de 1.200 wons, hoje, para 1.140 wons". O documento do instituto sul-coreano observa que a economia pode crescer até 8% este ano, 0,5 ponto porcentual acima da estimativa feita na semana passada.
No início do mês o Banco (central) da Coréia já havia previsto uma expansão econômica da ordem de 6,8%, cifra surpreendente dada a retração de 5,8% verificada, conforme dados preliminares, no ano passado. O ICF, porém, observa que uma elevação de 2 pontos porcentuais na taxa overnight provocaria uma queda de 2 32% no PIB estimado para este ano e um declínio de 21,9% no preço das ações.
O FMI acredita que o superávit em conta corrente da Coréia deva cair de US$ 40 bilhões no ano passado para US$ 20 bilhões este ano, mas o ICF aposta em uma queda maior, para US$ 17,7 bilhões.
No primeiro trimestre do ano o país cresceu a um índice de 4 6% em relação ao mesmo período do ano passado, superando todas as expectativas e mostrando uma incrível recuperação ante a queda de 5,3% registrada no último trimestre de 1998. Até agora, a inflação tem estado contida, principalmente em consequência da estabilidade dos preços internacionais das matérias-primas e da recuperação do won, a divisa local, em relação ao dólar norte-americano desde o ano passado.
Os técnicos do FMI que visitaram a Coréia constataram que a inflação para o consumidor avançou menos de 2% este ano e acreditam que a variação dos preços deva ficar abaixo de 3% no ano que vem. No primeiro semestre do ano o Índice de Preços ao Consumidor subiu apenas 0,6% este ano, ante uma alta de 7,5% em todo o ano passado.

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