PIB norte-americano cresce 6,1% sem inflação
Washington, 26 (AE-DOW JONES) - A economia dos Estados Unidos cresceu mais que o esperado no último trimestre de 1998 e o forte ritmo de atividade permitiu que o indicador trimestral de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) atingisse a marca recorde de 6,1% a um índice anualizado, a maior da década de 90. O resultado supera em muito a alta de 5,6% estimada há um mês.
Os novos dados indicam que o setor industrial investiu mais dinheiro nas fábricas e nos equipamentos que o previsto pelo Departamento de Comércio dos EUA. As exportações também superaram as expectativas. Ambos os fatores foram os principais responsáveis pela rápida expansão econômica verificada nos últimos três meses do ano passado nos Estados Unidos.
A inflação, contudo, foi praticamente nula no período, apesar da forte expansão da economia. O índice usado como deflator, acompanhado de perto por permitir a aferição do ritmo da alta de preços, cresceu só 0,7% no trimestre, menor resultado em quatro décadas.
"A economia apresenta sinais de força e não há nenhum indício de que as baterias responsáveis pela expansão estejam prestes a se esgotar", afirmou Tim ONeill, economista-chefe do Harris Bank/Bank Montreal em Toronto. "Acredito que os números relativos a este primeiro semestre de 1999 já estejam apontando para a continuidade dessa tendência."
Os dados que indicaram a estabilidade de preços, por exemplo, ajudaram a promover uma elevação modesta nos preços dos bônus do Tesouro norte-americano. Nos últimos dias esses títulos vinham registrando forte queda por causa dos temores de elevação das taxas de juros.
A notícia dos resultados positivos no último trimestre de 98, contudo, não alterou as estimativas de crescimento econômico para este ano já preparadas pelo Departamento de Comércio dos EUA. No relatório divulgado hoje, as autoridades apostam em uma expansão de 3,9% este ano, estimativa igual à anunciada há um mês.
Na quinta-feira, as autoridades norte-americanas informaram que o número de pedidos feitos às indústrias locais de manufaturados cresceu 3,9% em janeiro, enquanto as vendas de moradias, novas ou não, havia atingido o nível mais alto de todos os tempos.
Indústria automobilística - Os resultados dos últimos três meses de 98 foram os melhores já verificados em um trimestre em toda a década de 90 e chegam a superar a maioria dos dados sobre expansão econômica na década de 1980. O índice de crescimento do PIB só foi superior aos 6,1% anunciados hoje no segundo trimestre de 1984, quando chegou a 6,4%.
A produção de automóveis e caminhões foi a principal razão para o expressivo crescimento do PIB dos Estados Unidos.
Excluídos os resultados da indústria automobilística, o PIB cresceu apenas 4,0%, em termos anualizados, no último trimestre do ano passado. O esforço da General Motors para compensar a queda na produção de veículos em meados do ano passado, em decorrência da greve, contribuiu para o forte aumento na produção de automóveis no fim do ano.
Os economistas e as autoridades norte-americanas, porém, observaram ainda indícios de que os consumidores também tiveram um papel determinante na expansão do nível de crescimento da economia do país. Os gastos da população, que respondem por dois terços da atividade total da economia dos EUA, aumentaram 4,8% no ano passado, maior índice de crescimento em 14 anos.
As vendas ao consumidor, que medem a demanda por bens e serviços produzidos no país, aumentaram 6,5% no último trimestre do ano passado. As compras de bens duráveis foram especialmente fortes, crescendo expressivos 20,1%.
O saldo negativo na balança comercial dos EUA, contudo, provocou redução de 1,1 ponto porcentual no PIB norte-americano em 1998.





