PIB deve cair 2,4%, prevê Citibank
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de junho de 1999
Por Inaiê Sanchez 
São Paulo, 10 (AE) - A segunda revisão do cenário macroeconômico do Citibank para o Brasil parte do reconhecimento de que os impactos da desvalorização cambial sobre o nível de atividade econômica e inflação foram muito mais favoráveis do que o inicialmente imaginado. "Tais eventos positivos justificam uma previsão mais positiva para a evolução do PIB este ano, para o qual estimamos uma queda de 2,4%, com a recuperação do nível de atividade a partir do ano 2000, quando o crescimento do PIB deve atingir 3,5%", diz o economista-chefe do banco, Carlos Kawall.
Contribuindo para este resultado, aparecem a agropecuária, de um lado, com crescimento real de 3,9% e, de outro, a indústria, apresentando a significativa queda de 6,1%. Já os serviços, com comportamento bem mais favorável mas ainda negativo, deve registrar contração de 1,2% em 1999.
Apesar da reversão de expectativas ocorrida entre o final do primeiro e o início do segundo trimestre sugerir que este deva ser o momento da "virada", é bastante provável que a atividade econômica ainda apresente resultados muito negativos no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, diz Kawall.
"Isto porque nos meses de 1998 a economia ensaiava sua recuperação após a crise da ásia. Portanto, trata-se de comparar um trimestre fraco ao trimestre que apresentou melhor resultado no ano passado; com isto, a queda no PIB do segundo trimestre pode atingir 3,9% nesta base de comparação."
Nos demais trimestres de 1999, contudo, a comparação com o ano anterior beneficia-se do efeito oposto. Enquanto na segunda metade de 1999 deve ocorrer a suavização da recessão, no ano passado este período foi marcado pela queda contínua da atividade econômica. Com isto, espera-se que o PIB apresente quedas de 3,0% e 1,5% no terceiro e quarto trimestres de 1999, respectivamente.
Desta forma, a economia brasileira entra no ano 2000 em pleno processo de recuperação. Partindo de taxas de juros mais baixas e uma maior acomodação do setor produtivo às novas condições da economia, o PIB brasileiro deve apresentar taxas de crescimento sempre positivas ao longo do próximo ano: 2,7% no primeiro trimestre, 3,1% no segundo, 3,9% no terceiro e, finalmente, 4,3% no último trimestre de 2000, totalizando um crescimento de 3,5% na média do ano, estima Kawall.
Setorialmente, este crescimento deve se concentrar na indústria que, finalmente, deve iniciar uma retomada mais sólida
aumentando seu volume de produção em 4,8%. A agropecuária deve ter um crescimento de 4,2%, enquanto o setor de serviços deve apresentar crescimento de 2,7% em 2000.
Já a inflação medida pelo IPC-Fipe deverá ficar no patamar de um dígito (9%), recuando para 4% no próximo ano.


